Papagaios em extinção sobrevivem no Litoral
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais uma vez, a natureza venceu. A sobrevivência de 73 filhotes de papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), ave em extinção nativa da Mata Atlântica, diminuiu um pouco as chances de que a espécie desapareça do litoral paranaense, onde é encontrada em maior número.
A notícia foi divulgada este semana pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), entidade que realizou o monitoramento em 125 ninhos da espécie entre os meses de outubro do ano passado e fevereiro deste ano. O monitoramento foi realizado nas Ilhas Rasa, Gamelas e Grande, no Litoral do Paraná.
A espécie, que só existe no Brasil, tem hoje cerca de 6,7 mil indivíduos. Cerca de 70% deles -em torno de 5 mil animais- podem ser encontrados no litoral norte paranaense, principalmente em Guaraqueçaba. Dentre toda a população de papagaios-de-cara-roxa, os 73 novos indivíduos podem parecer poucos, mas representam muito para a sobrevivência da espécie. É o que diz a bióloga e coordenadora do projeto, Elenise Sipinski. "Esses novos animais são um incremento para a população. Sabemos que muitos deles podem não chegar à vida adulta, mas outros chegarão e formarão novos casais, dando continuidade à espécie", acredita Elenise. De acordo com a bióloga, o que garante o desenvolvimento das aves é o estado de saúde -e os 73 filhotes estão em perfeito estado, o que anima ainda mais os especialistas.
Atualmente, a principal ameaça aos papagaios-de-cara-roxa é a ação do homem. Entre os problemas, estão o tráfico da ave, que é presa e comercializada no mercado paralelo. A destruição dos ninhos também agrava a ameaça de extinção. Outra ameaça é a modificação do habitat natural dos animais. "À medida em que a floresta perde suas árvores, altera-se a formação dos ninhos", explica Elenise. Mesmo que Guaraqueçaba mantenha parte de sua floresta conservada, a destruição da mata nativa pode prejudicar o desenvolvimento da espécie, já que o papagaio-de-cara-roxa necessita do oco das árvores para formar seus ninhos.
Ninhos artificiais
É aí que entra uma particularidade que ajudou na sobrevivência dos filhotes. Cem ninhos artificiais foram criados e instalados na região para ajudar na procriação das aves. A ideia surgiu em 2003 e deu certo. Os ninhos artificiais auxiliam na proteção contra chuva e outros agentes naturais. Como são mais resistentes que os naturais, 94% dos papagaios que voaram nasceram em ninhos artificiais.
O próximo passo da SPVS é realizar, em abril, o censo dos animais. O censo vai monitorar a população de papagaios-de-cara-roxa no estado do Paraná. Realizado todos os anos, desde que o projeto foi criado, em 1998, a contagem das aves este ano vem cheia de expectativa. "Esperamos que o número de papagaios tenha aumentado", diz a bióloga.


