Pão da Vida para mulheres
Ver pessoas morando nas ruas deixava inquieta a auxiliar de serviços gerais Marina de Souza Barbosa. A sua vontade era ajudar. Praticamente sem nenhum recurso financeiro ela começou a fazer sopa em sua casa e servir para os moradores de rua.
''Comecei sem dinheiro nenhum, só com a coragem'', explicou. Com o passar do tempo sua clientela foi mudando. Os primeiros a receberem o alimento foram meninos de rua. Depois a sopa começou a ser oferecida para acompanhantes de pacientes de outras cidades que vinham para tratamento médico em Londrina.
Quando Marina percebeu, já tinha montado uma casa (ela pede que o endereço não seja divulgado) e estava atendendo mulheres vítimas de violência doméstica. Atualmente, a entidade que ela preside, o Pão da Vida, atende mais de 350 mulheres por ano, a grande maioria em situação de rua.
Segundo ela, boa parte vêm em busca de emprego e, infelizmente, não encontra. ''Quase todas acabam retornando para as suas cidades'', relata.
No entanto, outras têm um destino mais triste, como é o caso de Z.A.M., 32 anos. Ela veio de Ortigueira, há quatro anos, em busca de um serviço de doméstica, porém, sem conseguir nenhuma vaga, acabou indo morar nas ruas.
''Eu dormia embaixo de marquises, conseguia comida pedindo nas casas e tomava banho em postos de gasolina'', lembra.
Agora, abrigada no Pão da Vida, ela pensa em voltar para Ortigueira e rever a filha, que está morando com uma tia. ''Tenho muitas saudades dela''. (W.S.)





