Pão da Feira é feito em caminhão
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Osmani Costa 
Milton DóriaQuem quer pão?O londrinense Otacílio Pires Tomaz: de dono de ferro-velho a rei do pão na feira agropecuária É, certamente, uma das grandes novidades da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina deste ano: todos os cerca de 15 mil pães consumidos diariamente pelos visitantes, nas 25 barracas que vendem lanches, estão sendo produzidos dentro de um caminhão Mercedes-Benz 1313 estacionado no próprio parque Ney Braga.
O caminhão teve a sua carroceria adaptada por oficinas mecânicas de Londrina e nela foi instalada uma completa padaria, há cerca de oito meses. Ela conta com dois fornos elétricos capazes de produzir até 25 mil pães - tipo francês, de leite ou hamburger - por dia. A padaria ambulante custou aproximadamente R$ 100 mil e foi idéia de um de seus três sócios-proprietários, o ex-dono de ferro-velho Otacílio Pires Tomaz.
Com o pomposo nome de Panificadora Rei do Pão, esta padaria ambulante já esteve presente em exposições, feiras agropecuárias e rodeios de vários Estados brasileiros nos últimos meses. O caminhão sempre é dirigido pelo gerente do negócio e filho do seu Otacílio, Ivaldo Pires Tomaz. Na padaria propriamente dita, trabalham dez funcionários, coordenados pelos padeiros e sócios-proprietários Dilson Salomão e Aparecido Félix.
Esta é a primeira vez que o caminhão-padaria funciona na Exposição de Londrina, e o londrinense Otacílio Tomaz se diz orgulhoso disso. Depois de rodarmos por muitas cidades e feiras importantes, é muito bom estarmos estreando nosso negócio na Exposição de Londrina. E os resultados estão sendo ótimos. Daqui, vamos para a de Maringá e não paramos mais; felizmente já temos serviço programado para o ano inteiro.
Ele explica que está preparando documentos para patentear a invenção. Para funcionar durante dez dias no parque Ney Braga, o caminhão-padaria está pagando uma taxa de R$ 2.500,00. Em troca, Otacílio Tomaz conseguiu exclusividade para abastecer de pães as barracas, lanchonetes e restaurantes instaladas no local. Nós oferecemos qualidade, rapidez na entrega e menores preços nos pães. Um pão de leite grande usado para cachorro-quente, por exemplo, que nos mercados está custando em torno de R$ 0,20, nós vendemos por R$ 0,13; o pão francês, que chega a custar R$ 0,15 nas padarias da cidade, nós entregamos por R$ 0,10.
Do investimento total, R$ 35 mil foram na compra do caminhão, fabricado em 1992, e R$ 65 mil para a adaptação da carroceria e aquisição dos equipamentos. Depois de estacionado no local definido, a padaria leva cerca de quatro horas para começar a funcionar e a produzir pães, sempre com a farinha de trigo do Moinho Globo, de Sertanópolis. Otacílio Tomaz garante que este é o único caminhão-padaria do Brasil.
Eu nunca tinha entrado em uma padaria para ver a fabricação de um pão na minha vida. A idéia da padaria ambulante surgiu meio que por acaso, porque eu trabalhava havia 25 anos com ferro-velho e estava muito cansado daquele setor. Tentei uns tempos o ramo imobiliário, mas não gostei. Pensei em algo novo, em que pudesse investir o dinheiro, fazer algo diferente e ter retorno diz Otacílio Tomaz. Foi assim, conversando com os meus dois sócios padeiros, que tive a idéia de adaptar um caminhão e sair vendendo pães em grandes concentrações populares, como em rodeios e feiras agropecuárias.


