Panissa quer ser julgado, diz advogado
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sexta-feira, 03 de abril de 1998
Osmani Costa 
O empresário Marcos Campi¤a Panissa - que em 1989 matou a ex-mulher Fernanda Estrusani com 72 facadas - decidiu, durante recentes reuniões familiares, apresentar-se à Justiça para submeter-se a novo julgamento, que provavelmente será marcado para o segundo semestre deste ano. A apresentação deve acontecer no final de maio, assim que esteja revogado o mandado de prisão que foi decretado contra ele em 95.
As informações são do advogado de defesa do empresário, Antonio Carlos Vianna. Ele quer ser julgado novamente, o mais rápido possível. Para isso, basta que ele possa aguardar o julgamento em liberdade, diz o advogado. Vianna não informa qual é a atual residência de Marcos Panissa. O empresário é réu confesso e não compareceu ao terceiro julgamento a que seria submetido, em junho de 95.
O primeiro julgamento aconteceu em outubro de 91, no Tribunal do Júri (TJ) de Londrina. Panissa foi condenado a 20 anos e seis meses de detenção. O novo julgamento aconteceu por dois motivos: a pena foi superior a 20 anos e a condenação não foi unânime (dois dos sete jurados votaram a favor do acusado).
O segundo julgamento foi realizado em março de 92, também no TJ da Cidade. O empresário teve o seu delito desclassificado de homicídio qualificado para crime privilegiado - por quatro votos contra três - e a pena reduzida para 14 anos de detenção. A Promotoria Pública não aceitou o resultado e conseguiu junto ao Tribunal de Justiça do Paraná a anulação do julgamento.
O terceiro julgamento, marcado para junho de 95, não aconteceu e foi transferido por tempo indeterminado em consequência do não-comparecimento de Marcos Panissa. A lei não permite que um julgamento por crime inafiançável se realize sem a presença do réu, explicou, na época, o juiz da 1ª Vara Criminal de Londrina, João Jaime Cassoli, que presidia o caso.
Meu cliente não compareceu porque naquela época não havia clima de segurança para ele e nem para um julgamento imparcial e justo. Estava em vigor contra o Marcos um clima de linchamento, proporcionado pelo encaminhamento parcial e tendencioso organizado pelo juiz Cassoli, comentou ontem o advogado Antonio Carlos Vianna. Hoje, a situação é outra, mudou completamente. O Tribunal do Júri de Londrina está saneado, com um juiz e jurados imparciais. Independente da condenação ou absolvição, ou da pena que será imposta ao meu cliente, confiamos que o julgamento será correto. A Folha não conseguiu localizar Cassoli ontem.


