Panissa matou a ex- mulher, foi condenado e está em liberdade
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
Benê Bianchi 
Um dos casos mais conhecidos e tidos como exemplo de impunidade, em Londrina, é o que envolve o assassinato de Fernanda Estruzani Panissa, ocorrido em 6 agosto de 89. Ela foi morta em sua casa pelo ex-marido Marcos Panissa com mais de 70 facadas. Apesar da autoria do crime ser conhecida, Panissa nunca chegou a ser preso.
Ele foi julgado duas vezes e, em ambos, condenado. No primeiro julgamento, ocorrido em outubro de 91, a pena estipulada foi de 20 anos e seis meses. A sentença permitiu, automaticamente, a realização de novo julgamento. A lei determina o benefício quando a pena é superior a 20 anos.
O segundo julgamento ocorreu cinco meses depois. Desta vez, a promotoria ficou insatisfeita com a pena de nove anos e pediu novo julgamento, que deveria ter ocorrido em 21 de junho de 95. O réu, no entanto, não compareceu. O advogado de defesa, Antônio Carlos Vianna, alega que havia um clima orquestrado pelo então juiz da 1ª Vara Criminal, João Jaime Cassoli, de linchamento de seu cliente, o que foi negado pelo juiz à época.
A decisão da defesa levou o juiz a decretar a prisão preventiva de Panissa, em vigor até hoje. Mas a polícia não o encontra.
Vianna não concorda que o exemplo de Panissa seja de impunidade. Ele foi julgado duas vezes e quer ser julgado pela terceira. Só que ele não quer vir para o julgamento e ser preso. O promotor da 1ª Vara (Janderson Iassaka) não concorda com a revogação da prisão preventiva. Enquanto isso não ocorrer, Vianna diz que seu cliente não se apresentará.


