Pânico no Violin: operário é soterrado
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quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
Mário CesarSufocoWagner é retirado da valeta uma hora após o soterramento...Os trabalhadores Wagner Costa Vieira, 20 anos, e Ezequiel Martins, 19, por sorte não perderam a vida quando foram soterrados, ontem à tarde, na construção de uma valeta de 3,5 metros para instalação de água e esgoto na rua Nhambu Xororó, no conjunto habitacional Violin (zona norte). Wagner ficou totalmente soterrado. Seus companheiros tiveram que retirar a terra com as mãos para evitar que ele morresse sufocado.
Wagner Vieira sofreu fraturas na perna e ficou internado na Santa Casa. Soldados do Corpo de Bombeiros trabalharam por mais de uma hora para retirá-lo da valeta. Ezequiel ficou soterrado até a cintura e foi o primeiro a ser salvo. Ele sofreu ferimentos na coxa esquerda.
O operador da retroescavadeira, Ademar Pedroso de Almeida, estava retirando a terra do local no momento do acidente. Estávamos trabalhando normalmente, quando fomos surpreendidos pelo desmoronamento, contou Almeida. Ele afirmou que havia aberto apenas cinco metros de vala e que os trabalhadores já haviam feito três escoras para evitar a queda de terra para o interior do buraco.
Mário CésarAlívio...e é encaminhado à Santa Casa com fraturas na perna
Ademar Almeida disse que não podia explicar como ocorreu o soterramento. A obra é da Sanepar e está empreitada pela empresa Indústria de Habitação Polo, de Astorga. A empresa subempreitou os serviços de escavações para a empresa Vera Cruz, de propriedade de Geraldo Laurindo Pereira.
O proprietário afirmou ontem à Folha que não iria mais continuar a obra por temer a ocorrência de mais acidentes. Segundo ele, a terra, no local, é muito solta. Tomamos todas as providências de segurança e ocorreu este desmoronamento. Depois desta quase tragédia é que tomei conhecimento de que toda esta rua foi aterrada para a aplicação do asfalto e a terra colocada não foi compactada como deveria ser. Somente emparelharam a terra e depois asfaltaram a rua, disse Pereira. Segundo ele, foi preciso aprofundar a vala porque as casas estão abaixo do nível da rua.
Os bombeiros informaram que o que ajudou o operário foi o fato de ele estar usando capacete na hora do acidente, além de ter ficado com a cabeça entre as duas taipas de madeira que escoravam as paredes da vala. Quando começou o desabamento, o madeirame formou um vão, onde encaixou-se a cabeça do trabalhador, não permitindo que a terra ficasse sobre seu rosto.


