O autônomo Antonio Carlos Gaede, 62 anos, de Foz do Iguaçu, está distribuindo 60 mil panfletos pela cidade para denunciar o que ele considera ser propaganda enganosa feita pelo clínico-geral Carlos Araújo Rios e negligência por parte da cooperativa médica Unimed. Gaede alega que um erro de diagnóstico feito pelo médico fez com que ele sofresse três infartos. Segundo o autônomo, Rios foi apresentado pelo guia da cooperativa na lista de profissionais de cardiologia sem ter a especialidade. A Unimed é acusada por Gaede de não cumprir com as cláusulas do plano de saúde. A cooperativa abriu sindicância para apurar o caso. O médico nega as acusações e afirma que está sendo chantageado pelo ex-paciente.
Os panfletos estão sendo distribuídos em vários locais da cidade, inclusive em frente ao prédio da cooperativa e do consultório médico. Gaede diz que pretende alertar os usuários do plano sobre os riscos que eles podem estar correndo. Ontem à tarde, 10 adolescentes faziam a distribuição do material.
Gaede diz ter procurado o médico Carlos Rios em 1996, com fortes dores no peito, tontura e arritmia. ‘‘Ele disse que eu não tinha nada e apenas me recomendou que tomasse comprimidos de ácido acetil salicílico e que fizesse caminhadas’’, contou. De acordo com Gaede, o tratamento com o médico prosseguiu por um ano e dois meses. ‘‘Eu continuava com as dores e ele não me alertava sobre minha saúde. Então, sofri três infartos em doze horas. Mais tarde descobri que o médico não era cardiologista como se apresentava’’, relata.
O autônomo alega que após ficar sete dias internado num hospital local precisou ser encaminhado para Curitiba com urgência, para que fosse submetido a uma cirurgia. Segundo Gaede, a Unimed se recusou a lhe dar a cobertura dos exames, transporte e cirurgia. ‘‘Eles não liberavam o atendimento e tive que pagar tudo do meu bolso. O plano não me serviu para nada. Se eu tivesse procurado atendimento particular talvez tivesse evitado tudo isso.’’
Gaede afirma que procurou o médico acreditando que ele fosse cardiologista com base no guia-médico da Unimed onde consta a relação com os nomes dos médicos cooperados. A Folha teve acesso ao guia e constatou que o nome do médico está relacionado no item cardiologia.
O ex-usuário da Unimed entrou anteontem com uma ação na Justiça acusando o médico de fazer uso de propaganda enganosa e a Unimed por credenciar o clínico-geral como cardiologista, sendo que ele não tem a especialidade. Gaede também pretende entrar com um pedido de indenização para recuperar os R$ 30 mil que ele alega ter gasto com a cirurgia, as internações e outros procedimentos médicos. Ele diz que gastava R$ 335,00 por mês de manutenção do plano de saúde.

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