Kraw PenasElton Perpeto, que ganha R$ 120 por mês com panfletagem: meio períodoElton Perpeto, de 14 anos, ganha R$ 120,00 por mês para distribuir panfletos na esquina nas ruas Barão do Cerro Azul e 13 de Maio. Ele trabalha meio período e estuda no outro. ‘‘Estou na 6ª série e preciso ajudar minha família. Às vezes compro roupa para mim mas não tenho carteira assinada’’, reclama.
No mesmo local trabalha Rodrigo Sobral Coelho, com 16 anos. Ele recebe R$ 200,00 por mês e fica na rua o dia todo. ‘‘Não compensa, mas não arrumo outro emprego.’’ Ele disse que preferiria ganhar menos mas ter uma carteira de trabalho assinada. ‘‘Para garantir alguma coisa.’’
Para estudar, Rodrigo vai à noite para a escola fazer o 2º ano do 2º grau. ‘‘Preferiria trabalhar numa fábrica do que ficar distribuindo panfleto’’. O gerente da empresa para a qual os meninos trabalham, Sanuel Lopes, alega desconhecer qualquer proibição de nesse sentido.
’’Durante as campanhas eleitorais a gente não tem sossego. Recebe santinho, vê faixas por todos os lados, de repente apertam sua mão no meio da rua, mas quando a gente está trabalhando vem essas leis para atrapalhar tudo’’, reclama.
Alguns empregadores desses jovens que distribuem material pela rua eximem-se da culpa pela sujeira dizendo que são os motoristas os culpados. Lopes diz que o povo deveria ser mais educado e não jogar papéis no chão. E reconhece que campanhas publicitárias em rádio ou televisão ficam muito caras e o retorno com os panfletos é mais rápido.
Quem prometeu seguir à risca a recomendação da secretaria de Urbanismo foi a Construtora Cidadela. Ainda ontem uma moça, Elaine Muller, distribuía publicidade de um lançamento da empresa. Ela trabalhava na Rua Guararapes, esquina com a Rua João Bettega, no Portão.
A informação do diretor comercial da Cidadela, Adalberto Serta, toda a panfletagem será suspensa hoje. Segundo ele, novas estratégias de marketing serão usadas como alternativa.
No fim-de-semana, a empresa distribuirá 10 mil mudas no lançamento de um empreendimento.

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