Uma tonelada de papel jogada nas ruas de Londrina a cada dia. Esse é o saldo de uma atividade que está crescendo na cidade e vem ganhando adeptos em vários setores: a panfletagem. Conhecido como mídia alternativa, o negócio desperta interesse porque é barato e traz bons resultados para o anunciante. Por isso, hoje é possível encontrar - e receber - todo tipo de propaganda nas ruas da cidade, principalmente nos semáforos.
Alguns dos anúncios se destacam e são utilizados por várias empresas de um mesmo ramo, como ofertas de pneus, escapamentos, revisão de freio e outros serviços automotivos. Também são encontrados cardápios de restaurantes com entrega em domicílio; promoções da semana do hipermercado; o último lançamento imobiliário da cidade etc.
Dorico da SilvaColetaOs catadores de papel também ganham dinheiro com os folhetos: material é vendido em depósitosSomente em julho, segundo informações de Jonas Vieira da Silva, assessor comercial da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), foram distribuídos 367 mil panfletos em Londrina, que anunciavam ofertas de 55 empresas diferentes em cerca de 75 cruzamentos da cidade. Em junho não foi muito diferente: 347,5 mil folhetos em cerca de 80 locais diferentes e com anúncios de aproximadamente 70 empresas. A companhia é responsável pelo gerenciamento da atividade em Londrina.
Com o sucesso do negócio, a figura do panfleteiro acabou virando personagem obrigatório na composição do cenário urbano de Londrina, sobretudo na área central. É só o semáforo acender o vermelho que garotos e garotas invadem a pista, entregando os folhetos com ofertas. Muitos motoristas pegam o papel com educação, dão uma olhada, e colocam no banco do passageiro; outros fecham a cara e o vidro para o panfleteiro e não pegam a oferta; outros, ainda, fazem o pior: pegam o papel e, um minuto depois, jogam pela janela, contribuindo para a poluição da cidade.
O destino de tanta papelada é variado. Além do chão - que quando não é recolhido muitas vezes acaba entupindo os bueiros -, os panfletos podem ir para o Aterro Sanitário, ou Lixão, na zona sul, através da Vega Sopave; ou recolhidos pela coleta seletiva, realizada pela Autarquia do Meio Ambiente (AMA). Além disso, às vezes vão parar nos carrinhos dos catadores de papel da rua, que vendem a preço de banana para os depósitos de papel - que, por sua vez, revendem para as empresas de recompostagem. Alguns motoristas, é claro, recebem o panfleto e o levam para casa.
Délcio Garcia Martins, chefe do Departamento de Limpeza Pública da AMA, confirma que por dia são recolhidos nada menos que uma tonelada de panfletos jogados nas ruas da cidade, principalmente nas avenidas da área central. Para dar conta deste serviço, o setor emprega 40 ‘‘espeteiros’’, que trabalham de segunda a sábado, das sete às 17 horas, e também aos domingos até as 12 horas. Eles lotam entre 600 e 700 sacos plásticos diariamente com o papel, quase a totalidade de panfletos. Sem contar os varredores, ou garis de rua, que também acabam ajudando na coleta do panfleto, com galhos e outros tipos de lixos.
O chefe do departamento de limpeza acrescenta que são três os cruzamentos campeões da sujeira: as esquinas da Juscelino Kubitschek (JK) com Duque de Caxias; JK com Higienópolis; e JK com Rio Branco. Ele comenta ainda que todo o material recolhido pelos espeteiros da AMA vai direto para a coleta seletiva e posteriormente repassado para o Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), para virar fonte de recursos para programas sociais.
‘‘A gente acredita que esse número, de uma tonelada, deva dobrar já na primeira metade de setembro por causa da propaganda eleitoral. Nos dias de eleição, pode chegar até a quatro mil quilos de papel por dia’’, prevê Délcio Martins. Ele recorda que existe uma lei municipal (5733/94), que proíbe o cidadão de jogar o lixo na rua, mas que nem sempre é respeitada. ‘‘Infelizmente, muito pouca gente respeita a lei e acaba jogando o papel no chão. Aí não tem saída. A gente vai lá e recolhe.’

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