Professores, funcionários e alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vão realizar uma panfletagem hoje à noite, no Ginásio de Esportes Moringão (área central), durante a cerimônia de colação de grau. Os três grupos resolveram se unir para protestar contra a situação da UEL - baixos salários e a falta de um plano de carreira, cargos e salários são alguns dos problemas enumerados por eles.
A manifestação está sendo organizada pelo Sindiprol, Associação dos Docentes da UEl (Aduel), Sindicato dos Funcionários da UEl (Assuel-Sindicato), Sindicato da Saúde de Londrina e Diretório Central dos Estudantes (DCE). ‘‘Queremos, em primeiro lugar, cumprimentar os formandos e suas famílias, mas também mostrar a preocupação com dois projetos que definirão os rumos da UEL’’, ressalta o tesoureiro do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), César Antônio Santos. Um dos projetos diz respeito à autonomia universitária, que deverá ser enviado pelo governo do Estado à Assembléia Legislativa na próxima semana.
Segundo César Santos, a preocupação sobre este projeto é que não se sabe ao certo qual o teor dele. ‘‘Falaram muito e ninguém de qualquer categoria (reitor e entidades) viu o projeto. Existem boatos, mas nenhuma confirmação concreta’’, observa. Ele conta que recentemente algumas entidades ligadas à UEL se reuniram com o chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Giovani Gionédis, que não falou sobre o conteúdo da matéria.
César Santos ressalta que a principal dúvida é com relação ao percentual do Orçamento que vai ser repassado às universidades com a autonomia. ‘‘O projeto pode ser bom ou pode representar o fim da UEL.’’
Outro projeto muito esperado pelas categorias é o que trata do Plano de Carreira, Cargos e Salários dos servidores. O panfleto a ser distribuído destaca que os funcionários e professores da UEL são os únicos de uma universidade brasileira que não têm um plano de carreira próprio.
Ao contrário da matéria que trata da autonomia, César Santos destaca que o projeto do plano de carreira foi bastante discutido tanto por funcionários quanto pelos professores da Universidade. Ele afirma que, para as universidades, não adianta o plano de carreira ser aprovado se o projeto de autonomia ‘‘vier extremamente apertado’’. ‘‘As administrações não vão poder implementar o plano de carreira.’’
No panfleto, as entidades destacam que a conquista que termina hoje (formatura) é muito importante, mas que a UEL não vai tão bem como dizem. ‘‘Centenas de mestres e doutores saíram da UEL e foram trabalhar nas universidades paulistas e federais, que pagam salários muito melhores’’, relata o documento.
Outro ítem contido no panfleto diz respeito ao reajuste salarial, que os professores e funcionários estão há um ano e meio sem aumento e que as perdas nos últimos 10 anos passam de 400%. Para exemplificar, eles dizem que o salário inicial para umprofessor em 20 horas semanais é o mais baixo do país - R$ 290,00 - e que há funcionários que ganharm R$ 141,00. ‘‘Um verdadeiro salário de fome.’’
Ainda de acordo com o panfleto, tramita na Assembléia Legislativa do Paraná um projeto de lei do deputado Eduardo Trevisan (PTB) que prevê a volta da cobrança de mensalidades nas universidades públicas. ‘‘Nós lutamos pelo ensino superior público, gratuito e de qualidade no Paranᒒ, destacam as entidades.
César Santos diz que a data da formatura foi escolhida por ser um dia em que estarão presentes, além dos alunos, seus familiares. ‘‘Não tem dia melhor para mostrar a situação real da UEL’’, ele acredita.

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