Telma Elorza
De Londrina
Londrina enfrentou períodos de caos ontem e quarta-feira, com interrupção dos serviços de água e energia elétrica. O rompimento de uma adutora do sistema de captação de água Tibagi e um problema na subestação de energia Jardim Bandeirantes transtornou o dia-a-dia da cidade. As regiões norte, sul e leste de Londrina e cerca de 85% da área urbana de Cambé – totalizando cerca de 350 mil pessoas – ficaram sem água durante parte do dia ontem e quarta-feira. O desabastecimento atingiu 60% dos 500 mil habitantes de Londrina. Já o ‘‘apagão’’ parcial durou apenas 48 minutos, entre às 18h20 e 19h10 da quarta, mas deixou às escuras cerca de 40 bairros da cidade nas regiões norte, sul e oeste, atingindo mais de 120 mil pessoas em horário de pico.
Muitos leitores ligaram para a Folha reclamando dos dois fatos. Segundo o empresário Alô Moyses Brum, a falta de água prejudicou-o financeiramente. ‘‘Além de ter que comprar água mineral, tive que interromper uma construção que estou fazendo. Mesmo assim, vou ter que pagar o pedreiro porque não é culpa dele’’, afirmou. O sistema Tibagi só foi religado às 15 horas de ontem e voltou a funcionar com capacidade total duas horas depois. A previsão era que o abastecimento só retornasse ao normal durante à noite de ontem. Em alguns pontos da cidade o reabastecimento só deveria ocorrer durante a madrugada.
O rompimento da adutora, localizada no Ribeirão Três Bocas, ocorreu por volta das 9 horas da manhã de quarta-feira em um ponto de alta pressão. Segundo o gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, o restabelecimento de água só não ocorreu na mesma noite porque houve um segundo acidente logo após a reparação do primeiro. ‘‘Logo após a comunicação do acidente, uma equipe foi até o local e trabalhou até às 21 horas para reestabelecer o serviço. Quando a equipe terminou e foi religar a segunda motobomba, o mesmo ponto voltou a romper’’, disse. O último acidente com o sistema Tibagi havia sido registrado pela Sanepar há três anos.
A adutora avariada tem 90 centímetros de diâmetro, por onde passam 1.200 metros de água por segundo. Segundo Kishima, a equipe passou a noite de quarta para quinta-feira tentando consertar o problema. De acordo com ele, as causas dos dois rompimentos seguidos não foram detectadas. ‘‘Aconteceram em um ponto de alta pressão. É só o que explica até o momento’’, acrescentou.
Kishima informou que acidentes do tipo são imprevisíveis, por isso a empresa não pode ser responsabilizada. ‘‘Nem eu nem a empresa queremos deixar mais de 350 mil pessoas sem água de propósito. Eu lamento, ainda mais que elas, o inconveniente que sofreram’’, disse. Na manhã de ontem, caminhões do Corpo de Bombeiros abasteceram reservatórios principalmente de hospitais das regiões afetadas pela falta de água.
Já o ‘‘apagão’’ provocou a reclamação da gerente dos cinemas Catuaí, Ruth Moraes. Segundo ela, o problema aconteceu no final de uma sessão de cinema e causou prejuízos à empresa. ‘‘Como durou mais do que 15 minutos, eu tive que devolver os ingressos para o pessoal e cancelar a outra sessão, que começaria na sequência’’, afirmou. O pior, porém, foi enfrentar a revolta do público. ‘‘E é plenamente justificável, mas nós não temos culpa.’’
De acordo com a gerente, as quedas de energia são constantes na região sul da cidade o que prejudica em muito sua empresa. ‘‘Já teve ocasião de faltar energia em pleno sábado à noite, com casa cheia. E o pessoal fica irritado. Já houve vezes que tive que chamar a segurança do shopping para controlar a situação’’, disse.
Para o superintendente regional da Copel, engenheiro Elsson Marcos Spigolon, está havendo um certo exagero por parte da gerente. ‘‘Posso garantir que não há quedas de energia frequentes. O que acontece é que, quando há um evento da magnitude deste, o pessoal costuma exagerar um pouco’’, afirmou.
Segundo o engenheiro, o problema ocorreu por um desligamento na barra geral da tensão de 13.800 volts da subestação Jardim Bandeirantes. ‘‘É desta barra de onde saem os sete alimentadores que a atendem toda a região’’, explicou. Segundo ele, as equipes gastaram cerca de 48 minutos para tentar detectar o problema, que não estava na subestação.
Spigolon disse que a situação ficou pior por causa do horário de rush, com muita gente circulando pelas ruas e mais probabilidades de haver acidentes com fios caídos. ‘‘Tivemos que investigar com dobro de cuidado’’, justificou. Nada, porém, foi identificado como a provável causa do acidente. ‘‘Por isso, estamos com uma equipe hoje (ontem) ainda tentando averiguar as causas’’, informou.Rompimento de adutora da Sanepar afetou cerca de 350 mil moradores; problema em subestação da Copel atingiu 40 bairros
Dorico da SilvaLÍQUIDO FUNDAMENTALCorpo de Bombeiros abastece reservatório do Hospital Universitário, localizado em região afetada pela falta de água

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