Palmito some de mata nativa
Uma quadrilha organizada vem atacando as matas remanescentes da região de Londrina, de onde retiram os pés de palmito nativo de forma indiscriminada.
Um dos alvos dos ladrões, nos últimos meses, foi a mata da Fazenda Remansinho, localizada no Distrito de Maravilha (zona sul), a cerca de 12 quilômetros do centro de Londrina.
Segundo cálculos dos proprietários, a quadrilha retirou de 40 mil a 65 mil pés de palmito da mata. Não deixaram nem os pés necessários para o repovoamento natural, reclama um dos proprietários da fazenda, Osvaldo Reverendo Vidal Júnior.
Segundo ele, um contrato assinado há sete anos com uma indústria permitia a exploração do palmito nativo da área, desde que respeitados os critérios regulamentados pelo Ibama. O primeiro corte foi feito naquela época e o segundo ocorreria há dois meses. Mas quando os funcionários da empresa entraram na mata não encontraram mais nada.
A Polícia Florestal e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já receberam várias denúncias sobre a ação dos ladrões, mas admitem ser difícil colocar um fim no problema.
Osvaldo Franco, um dos funcionários da Fazenda Monte Carmelo, ao lado da mata de onde os palmitos foram levados, perseguiu e conseguiu anotar as placas de dois veículos que estariam transportando pessoas para a retirada do palmito.
A reportagem da Folha do Paraná/Folha de Londrina localizou os donos dos carros, mas eles negam qualquer participação no roubo.
Um deles, Florentino de Almeida Mota, admite que levou 10 homens para a área. Ele teria sido contrato para fazer um frete por um homem moreno, de estatura mediana, que usava um carro vermelho, importado. Florentino garante não saber quem é a pessoa que o contratou.
O proprietário do outro carro, Manoel Monteiro, informou que alugou sua caminhonete para uma terceira pessoa, Antonio Rodrigues. Ele se negou a dar entrevista e disse, através de seu advogado, que passou pelo local no dia em que foi anotada a placa, mas estava transportando porcos.
A reportagem sobre a ação da quadrilha especializada no roubo de palmitos em matas sob preservação está na página 3 deste caderno.





