Palmito pode ser preservado
se substituído por pupunha
Um levantamento feito pela Sociedade de Proteção à Vida Selvagem (SPVS) mostra que cerca de 2 milhões de pés de palmito são cortados anualmente na Serra do Mar, no Paraná. Em Guaraqueçaba, cerca de 35 fábricas clandestinas estariam devastando a Mata Atlântica e produzindo 50 mil vidros de palmito por mês.
Para tentar coibir o corte ilegal do palmito paranaense (Euterpe Edulis), a Panificadora Requinte, em Curitiba, resolveu iniciar uma campanha de preservação do palmito. Em todos os pratos da casa, em vez do palmito extraído da Mata Atlântica, é usado o palmito pupunha (Bactris Gasipaes), cultivado para corte. ‘‘É uma forma de colaborarmos para a preservação do palmito no litoral paranaense, usando um produto natural e adquirido fresco’’, diz Ruffo Dreher, proprietário da panificadora. ‘‘Se tem uma opção que é perfeitamente viável, por que não usá-la’’, questiona.
A utilização do palmito pupunha é incentivada por ambientalistas do Fórum Pró-Conservação da Natureza. Segundo a jornalista e ambientalista Tereza Urban, esta iniciativa deveria ser adotada pelos demais estabelecimentos do Estado. ‘‘A campanha tem este valor, de chamar a atenção para o consumo predatório. É preciso alertar as pessoas para o que está sendo consumido’’, afirma.
Tereza Urban diz que o Estado também tem que fazer sua parte. ‘‘Não adianta apenas termos a população envolvida nesse processo de diminuir a comercialização ilegal do palmito, precisamos de atos sérios do Governo’’, diz ela. Além do desenvolvimento de uma política estadual do palmito, a ambientalista quer a realização de um inventário do palmito no Paraná. ‘‘Não sabemos onde tem o palmito, como manter e as áreas de risco. Temos que saber mais sobre o Paranᒒ, conclui. (L.P.)

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