Em uma operação que durou 17 horas, a Polícia Federal prendeu oito pessoas e apreendeu armas e 513 unidades de palmito na Fazenda Bom Jesus, de propriedade do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturaris Renováveis (Ibama), localizada em Guaraqueçaba (Litoral do Estado). Fiscais do Ibama também participaram da ação policial.
‘‘A apreensão não foi grande, mas o grave é que a ação ocorreu na fazenda do Ibama’’, disse o vice-delegado da (PF) em Paranaguá, Evaristo Kucki. Cinco das oito pessoas presas são funcionários da empresa Sentinela, que fazia a segurança do local. Eles foram presos porque afirmaram que recebiam propina para não se manifestarem sobre o corte de palmito executado pelas outras três pessoas presas. O corte teria sido encomendado por Helio Tabucuva, que se dizia capataz de uma empresa de palmito em Antonina.
A partir de uma denúncia anônima, a PF e o Ibama começaram a fazer a vistoria na fazenda às 18 horas do dia 29. A ação terminou apenas às 11 horas de ontem. Nesta ação foram apreendidos cinco facões, três espingardas, seis cartuchos calibre 28 e um machado. As armas de fogo estavam com os empregados da Sentinela. Um advogado da Sentinela estava ontem na sede da PF, mas não quis se pronunciar.
Os funcionários da Sentinela relataram à PF que receberam ordem do chefe da vigilância na fazenda, Benedito de Oliveira, também preso, para não tomarem nenhuma atitude com relação à extração ilegal do palmito porque ele estaria seguindo ordens de um supervisor da empresa Sentinela. Este supervisor, segundo os funcionários da Sentinela, teria afirmado que a ação foi negociada com o Ibama para quitar uma dívida do órgão com a empresa. Estima-se, que nas duas últimas semanas, cerca de 1,5 mil unidades de palmito saíram da fazenda.
Quatro dos cinco funcionários da Sentinela presos mencionaram o nome do superintendente do Ibama no Paraná, Luiz Antônio Nunes de Mello, conhecido como ‘‘Manaus’’. Segundo o depoimento deles à PF, Manaus teria conhecimento da extração ilegal do palmito.
Manaus refutou as acusações. ‘‘É muito fácil dizer que uma pessoa como eu, que trabalho no Ibama há muito tempo e que todos conhecem meu apelido, autorizou.’’ ‘‘Como é que eu vou autorizar um corte em uma área que é de minha total responsabilidade?’’.
De acordo com Manaus, a Sentinela ganhou uma licitação para trabalhar no local quando o terreno ainda era do Banco Central, há dois anos. Como o processo de mudança de proprietário ainda não saiu, não havia como mudar de empresa, argumentou Manaus. O Ibama vai fazer um censo na área para avaliar as perdas.

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