Palmas e uma canção no adeus à Amanda
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quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Ontem, o sol se escondeu em Londrina. O céu cinzento serviu de cenário para o enterro da estudante Amanda Rossi, no Cemitério João XXIII, Região Central da cidade. Por volta das 8 horas, familiares e amigos deixaram o velório na capela da Acesf e partiram, a pé, em direção ao cemitério.
Amanda cursava o terceiro semestre do bacharelado em Educação Física no campus do Jardim Piza da Universidade Norte do Paraná (Unopar), na Zona Sul, e desde março participava de um projeto no qual ensinava ginástica rítmica para um grupo de meninas da Escola Oficina Pestalozzi. Conforme os familiares, era uma pessoa tranquila e feliz. Anteontem, o corpo da estudante de apenas 22 anos foi encontrado dentro da sala de máquinas que trata a água da piscina usada nas aulas do curso de Fisioterapia da universidade. Ela teria sido golpeada no rosto e depois asfixiada.
Na manhã de ontem, motociclistas abriram caminho nas ruas para o carro que transportava o corpo de Amanda e para a família, que seguiu carregando fotos da jovem e faixas pedindo o fim da violência. Mais motos e também carros seguiram o cortejo, que saiu da Avenida Juscelino Kubitschek e passou pela Avenida Higienópolis antes de chegar no cemitério, na Rua Paranaguá. Buzinaço e um coro entoando o nome da estudante comoveram quem cruzou o caminho.
A cerimônia de sepultamento foi breve e contou com parentes e amigos mais próximos. Após a bênção do padre, um amigo da família e morador da Vila Fraternidade (Zona Leste), onde vivia Amanda, fez um discurso pedindo que a comunidade não cruzasse os braços para o crime. ''Não podemos ver nossos filhos serem enterrados por nós. Estamos cansados de ficar presos em casa, chorando por vidas que foram ceifadas'', declarou.
Uma salva de palmas liderada pelo pai de Amanda e uma canção embalaram o adeus à estudante. Revoltados, os pais da jovem admitiram que apesar de a universidade ter arcado com todas as despesas do funeral, eles ainda irão cobrar uma resposta para a morte da filha.
''A instituição não fez mais que a obrigação, mas a gente vai cobrar. Eles precisam rever a promoção de eventos como o de sábado e rever a segurança do campus, que eu acho que é precária'', disse a mãe da estudante, Maria Francisca Rossi.
Segundo ela, a busca pelo corpo da filha poderia ter sido solucionada mais rapidamente. ''Procuramos a polícia às 22h30 do sábado, mas por lei não pudemos fazer um boletim de ocorrência. No domingo, fomos até a universidade para procurar por ela e não deixaram entrar, mas os próprios seguranças da universidade poderiam ter vasculhado. De repente não iríamos encontrá-la com vida, mas a família e a comunidade não precisavam ter passado dois dias tenebrosos'', desabafou. ''Temos outra filha para tomar conta e não sei como vai ser, mas vamos encarar.''
Para o pai da estudante, Luis Carlos Rossi, o crime deve ser solucionado brevemente. ''Ela nunca teve problema na escola, na família. Nunca brigou. Para levá-la naquele lugar só pode ter sido alguém de dentro da universidade.''
Segundo Rossi, a filha estava muito feliz por estar realizando os projetos de vida dela, como o estágio na área de educação física. ''Ela dançou balé por muitos anos, por isso, os aplausos no enterro'', justificou o pai.
A prima de Amanda, Thaiza Rossi, descreveu a jovem como uma garota calma, tranquila. Segundo ela, a estudante não costumava namorar muito e atualmente estava sozinha, depois de terminar um relacionamento de três anos. ''Ela era católica e participava da igreja e de tudo na universidade'', disse.
''A Amanda nunca teve problema com ninguém. Sempre que saía de casa avisava onde estaria, nunca foi de desaparecer. E jamais desapareceria no dia do aniversário da irmã'', completou Thaiza.
Para a coordenadora pedagógica da Escola Oficina Pestalozzi, Cristina Silva, Amanda sempre foi uma pessoa tranquila. Desde março a estudante auxiliava a professora do grupo de ginástica rítmica da escola e se preparava para substituí-la no próximo ano. ''Ela passava o dia aqui com a gente. Era uma pessoa fácil de lidar, meiga. Nunca teve problema com ninguém.'' Como avisou uma das faixas carregadas pelos amigos na manhã de ontem, ''Amanda será sempre amada'' por aqueles que conquistou em vida.


