Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
O médico legista Fortunato Badan Palhares, responsável pelo laudo oficial sobre a morte de Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, ocorrido há três anos, disse ontem, em Curitiba, que vai manter até o fim a conclusão de que o crime foi um homicídio seguido de suicídio. Irônico, Badan Palhares afirmou que precisaria ‘‘aprender novamente’’ o que é medicina legal, para saber como a outra equipe de legistas (coordenada pelo médico de Alagoas, George Sanguinetti) concluiu que a altura de Suzana seria 10 centímetros maior do que a apontada no laudo oficial, 1m57cm.
O legista George Sanguinetti sustenta que, pela trajetória da bala no corpo de Suzana e pela altura dela, o crime seria um duplo homicídio. ‘‘Nunca vi cadáver crescer. É um erro básico de qualquer perito não levar em conta que, sentada, a pessoa vai sempre aparentar uma estatura menor do que a medida em p钒, criticou. Badan Palhares esteve na capital para debater com os estudantes de Biologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) a importância da medicina legal para as ciências biológicas.
Badan Palhares afirmou que uma nova versão para o crime, só será possível se houver um novo elemento determinante nas investigações. ‘‘Para nossa equipe, a única coisa que pode reverter o caso é provar que Suzana não esteve no local do crime entre as 5 e as 7 horas daquele dia. E tem que ser uma prova material, e não um testemunho. A testemunha é a prostituta de todos os crimes’’, justificou o legista, citando um ditado comum da linguagem policial.
Ele admitiu que, assim que foi chamado para participar da perícia no local do crime - na casa de praia de PC, em Maceió - tinha a convicção que era um caso de ‘‘queima de arquivo.’’ ‘‘Mas, assim que começamos a estudar as primeiras análises da necrópsia dos corpos e da cena do crime, comparamos com outros casos semelhantes e vimos que não se tratava de um homicídio comum.’’ Nos seis meses que a equipe levou para concluir o laudo oficial de 600 páginas, foram realizados 250 exames periciais.
Desde que começaram as investigações sobre o crime, Badan disse que jamais usou seguranças para se proteger. No começo do ano Badan sofreu um infarto e contou que, a partir daí, passou a viver mais para a família do que para o trabalho.’’

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