Palestras discutem causas da morte ligada à gestação
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Adriana De Cunto 
De janeiro a março deste ano, nove mulheres morreram devido a complicações ligadas à gestação ou ao parto nos 19 municípios que compõem a 17ª Regional de Saúde, sediada em Londrina. O número é alto, se comparado com os índices do ano passado, quando a regional registrou 12 mortes causadas por problemas na gravidez. Dados como esses serão discutidos em todo o Paraná em 28 de maio, data que marca o Dia Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna.
As comemorações serão antecipadas em Londrina. Na próxima segunda-feira acontece um ciclo de palestras no anfiteatro da Supercreche, das 8 horas ao meio-dia, que marcam a discussão da mortalidade ligada à gestação. A promoção é da Autarquia Municipal de Saúde e da 17ª Regional de Saúde.
Três palestras estão sendo organizadas. A primeira é com o professor doutor da Universidade Estadual de Londrina, Ricardo Mendes Alves, que falará sobre Epidemiologia da Morte Materna na 17ª Regional de Saúde. Em seguida, o professor doutor e representante da Coordenação Regional de Medicina no Comitê Estadual de Morte Materna, Elcio Bertolozzi Soares, fala sobre Assistência ao Pré-Natal Com Qualidade. Por último, o professor doutor da Universidade Estadual de Londrina, Fernando Margieri Sobrinho, vai abordar o tema Assistência ao Parto Com Qualidade. As palestras estão abertas a toda a comunidade.
Segundo a representante do Conselho Regional de Enfermagem e da 17ª Regional de Saúde no Comitê de Prevenção de Mortalidade Materna, Júlia Alonso, o principal objetivo é melhorar a qualidade da assitência às gestantes e ao parto. A chefe da Divisão de Assistência à Saúde da 17ª RS, Rosilene Aparecida Machado, lembra que a data foi criada com o objetivo de conscientizar a população para os cuidados preventivos que devem ser tomados durante a gravidez.
Ela explica que o Comitê Regional de Morte Materna investiga todos os casos de óbitos entre gestantes e mulheres na fase do puerpério (parto ou sobreparto) para identificar a causa da morte. O comitê é formado por médicos, enfermeiros e assistentes sociais da Universidade Estadual de Londrina, 17ª Regional de Saúde e Autarquia Municipal de Saúde.
Ela conta que, de início, o comitê analisa o atestado de óbito de todas as mulheres em idade fértil (de 9 a 49 anos). Depois, separa os documentos das grávidas ou que tiveram filhos. Nestes casos, serão estudados os prontuários das vítimas.
As principais causas dos óbitos foram hipertensão arterial e infecção puerperal. E todas são causas evitáveis, com maior investimentos nos exames de pré-natal e na melhoria da assistência hospitalar, diz Rosilene Machado.
Das 12 mortes ocorridas ano passado na 17ª RS, três eram de pessoas que vinham de municípios fora da regional. Cinco óbitos ocorreram depois de 40 dias do parto e 4 óbitos no puerpério. Das 9 mortes ocorridas até março deste ano, 7 ocorreram no puerpério.
Rosilene Machado conta que o governo estadual criou, no ano passado, o projeto Protegendo a Vida, visando melhorar a assistência médica materno-infantil. A primeira fase do programa aconteceu no ano passado, através de cursos visando o aperfeiçoamento dos profissionais da área da saúde que atuam com gestantes e crianças.
Todos os órgãos que participaram da primeira fase vão agora receber material para planejamento familiar, que será distribuído entre a população: são anticoncepcionais, camisinhas e diafragmas. Em uma segunda fase, os municípios vão receber equipamentos hospitalares para atendimento das gestantes.
Participam do Protegendo a Vida: Sociedade Paranaense de Ginecologia e Obstetrícia, Sociedade Paranaense de Pediatria, universidades, Secretaria Estadual de Saúde, organizações não-governamentais, pastorais e órgãos de proteção à mulher.


