Palestras direcionadas contra as drogas
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segunda-feira, 02 de abril de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Com comprovadamente custos mais baixos e alcance de importantes resultados, os trabalhos preventivos de sensibilização contra o uso abusivo de álcool e drogas têm se mostrado uma valiosa estratégia no combate ao problema e chamado a atenção da população. Um trabalho extremamente positivo, mas que, como alerta o psicólogo Dionísio Banaszewski, de Curitiba, só pode surtir resultados efetivos quando realizado por profissionais com conhecimento técnico da área, capazes de adequar a linguagem para cada tipo de público.
O especialista argumenta que os diversos tipos de público devem receber uma atenção especial por terem características e necessidades divergentes. ''Cada um dos grupos tem vivências diferentes, características que merecem ser consideradas ao abordar o tema'', ressalta Banaszewski. Ele trabalha há mais de 20 anos na orientação e tratamento contra as drogas, dependência química que, segundo estimativas do pesquisador, atinge diretamente mais de 10% da população.
''Uma palestra em uma escola, por exemplo, não deve abordar, diretamente, as experiências de uso de um dependente. Apesar de entender a agressividade da substância no organismo, os pequenos poderão minimizar os prejuízos, já que estão conhecendo a história de alguém que conseguiu entrar e sair desse universo'', observa Banaszewski. ''Eles podem não se dar conta de todo o processo demorado e sofrível pelo que a pessoa precisou passar até se recuperar, isso quando consegue'', acrescenta.
Banaszewski esclarece que, neste caso, a sensibilização deve ser mais didática, falando dos riscos de cada droga, com uma linguagem solta, jovial e realista.
Igrejas
Nas igrejas, o psicólogo orienta que o cuidado especial deve ser com a linguagem dogmática. ''O palestrante não pode se apegar ao que diz a Bíblia, ao que prega aquela denominação, mas alertar para os riscos como autoridade na área'', observa. ''Isso é necessário para que ele não corra o risco de cair naquele pensamento simplista de que, se Deus quiser, ele irá sair das drogas'', observa.
Já com os familiares de dependentes, o especialista orienta que o ideal é uma abordagem mais fundamentada em experiências e com formas de encaminhamentos para tratamento adequado. ''Muitas vezes, a família por si só já lançou mão de todos os recursos e já entrou em desespero por não conseguir dar conta daquela situação. A palestra deve vir no sentido de auxiliá-la sobre como lidar com aquela impotência e não desesperá-la ainda mais'', esclarece.
Sensibilização
Outro aspecto relevante é a abordagem a ser realizada nas empresas. Segundo o psicólogo, este é o local onde o palestrante pode obter os melhores resultados de sensibilização, desde que a discussão seja eficaz. Ele explica que palestras e trabalhos desenvolvidos ali devem alertar para os danos à vida profissional e em família, sem expor os funcionários, pois é o local onde, por primazia, as pessoas prezam por sua imagem.
''É importante mostrar os resultados para a própria organização com os trabalhos de orientação, como a redução de faltas frequentes, de afastamento de colaboradores e até de rotatividade, que é altíssima por causa do uso de álcool e drogas'', salienta.
Segundo o psicólogo, funcionários que recebem esse tipo de atenção normalmente tornam-se mais comprometidos e dão mais resultados para a empresa.
Ele explica que quando a orientação é realizada pelo profissional de forma adequada, será até mais simples o encaminhamento do dependente para um tratamento. ''Foram várias as vezes que depois de uma palestra que fiz, devido à forma com que eu tratei o tema, os ouvintes se sentiram seguros para falar comigo sobre onde poderiam se internar e eu acabei encaminhando-os'', acrescenta. ''Quando o trabalho preventivo é realizado da forma correta, além de dar mais resultados, tem custos infinitamente mais baixos.''


