Palermo nega autoria do sequestro de Boeing
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Lino Ramos e Alexandre Sanches De Londrina 
O piloto Gerson Palermo, 43 anos, preso anteontem em São Paulo e transferido para Londrina, negou ontem que tenha participado do sequestro e assalto ao Boeing 737-200 da Vasp, que fazia o vôo 280 (Foz do Iguaçu-Londrina). O depoimento de Palermo à Polícia Federal durou mais de duas horas. O avião foi tomado de assalto em pleno vôo por cinco assaltantes, que obrigaram o piloto a sair da rota e pousar no aeroporto municipal de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), onde fugiram com R$ 5 milhões, pertencentes ao Banco do Brasil.
Palermo teve a prisão temporária decretada pela Justiça Federal de Londrina a pedido do delegado Sandro Roberto Viana dos Santos que preside o inquérito sobre o Boeing. No domingo ele conseguiu escapar de um cerco policial em Campinas (SP). A PF de São Paulo informou que no momento da prisão Gerson Palermo estava com R$ 66.350. O piloto chegou a Londrina por volta da meia-noite de terça-feira em avião Bandeirante da PF e, sob forte esquema de segurança, foi conduzido à Subdivisão da Polícia Federal. O comboio de viaturas assustou motoristas pelas ruas da cidade.
Ainda na madrugada de ontem, o piloto foi ouvido pelo delegado Sandro dos Santos e negou sua participação no crime. Santos e o chefe interino da PF em Londrina, João Luiz do Prado, só deixaram a subdivisão às 4 horas. O advogado Divaldo Espiga acompanhou o depoimento e disse apenas que o acusado negou envolvimento com o sequestro, porém não revelou qual seria o álibi de seu cliente. De acordo com o delegado Sandro dos Santos, Palermo alegou que no dia 16 estava em Campo Grande (Mato Grosso do Sul), onde reside e cumpre pena em regime domiciliar por tráfico de drogas. Nós temos fortes indícios da participação de Gerson Palermo nesse crime, resumiu o delegado.
Santos não revelou como a PF encontrou o piloto em São Paulo, mas tem indícios de que Gerson Palermo e outro suspeito hospedaram-se no Hotel Iguaçu, em Foz, e também fizeram uma viagem de reconhecimento no vôo 280 dias antes do sequestro. O delegado João Luiz do Prado, informou que a PF não pode revelar detalhes da investigação porque o inquérito está sob segredo de justiça. Mas adiantou que a versão de Palermo contraria as investigações. Ele está no direito de negar, mas foi preso com base na investigação. Tanto é que a Justiça Federal concedeu sua prisão temporária, resumiu.
Ontem de manhã o acusado recebeu o advogado paulista Anselmo Neves Maia, que reafirmou a inocência de Palermo no sequestro do Boeing. Segundo o advogado, o piloto estaria disposto a conversar com jornalistas, mas a PF preferiu não apresentá-lo. De acordo com o Serviço de Comunicação Social da PF paulista, em 91 Maia foi preso junto Palermo por tráfico de drogas. Ontem de manhã o piloto foi submetido a um exame de corpo delito e no início da tarde transferido para Foz do Iguaçu .
Gerson Palermo possui 14 indiciamentos por tráfico de drogas e já foi preso em Londrina por contrabando de uísque.


