A história de amor deles começou em um ônibus, quando ele era um cobrador e ela uma das passageiras. Quatro anos após a união, o hobby do casal ainda é viajar pelos estados brasileiros, conhecendo as diversas frotas de ônibus e fotografando os modelos mais antigos. Único casal entre um grupo de 6O busólogos, o motorista Alex Fiori e a auxiliar administrativa Arlete Silva, de Campinas (SP), aproveitaram o ''tempinho livre'' para participar da 2 edição do Encontro de Admiradores da Garcia, realizado pela empresa londrinense.
O encontro, na semana passada, reuniu busólogos de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Sul, que visitaram a garagem da empresa para fotografar os modelos mais modernos de ônibus e conhecer um pouco da frota histórica, preservada no Espaço Memória.
''Eu me lembro que desde pequeno já tinha esse deslumbramento pelos ônibus. Quando criança, eu já pedia para minha avó as miniaturas e essa paixão só cresceu'', conta Fiori, que possui um acervo de mais de 30 mil fotos de ônibus. ''Eu guardo tudo que me faz recordar as viagens; tenho copinhos, passagens e muitas, mas muitas fotos.''
A grande paixão do motorista pelos ônibus logo se tornou um hobby também para a esposa. ''Não tem como explicar como surgiu esse interesse. Simplesmente, eu o acompanhava nas viagens e passei a gostar também. O que foi muito bom, porque a gente pode conversar, compartilhar algo que é interesse de ambos'', diz.
''Viajamos de carro para poder fotografar os modelos que vemos pela estrada e, quando não dá, acompanhamos o ônibus até o destino final para fotografá-lo'', menciona Fiori, lembrando que há alguns anos seguiu um ônibus de Ivaiporã até Cruzmaltina (cerca de 65 quilômetros) só para fotografar o modelo que lhe chamou a atenção.
''Já cheguei a investir mais de R$ 700 em frota com cinco miniaturas'', conta o motorista baiano Eder Pereira, que hoje tem uma coleção de 364 modelos, 40 deles miniaturas muito raras. ''Tem gente que diz que sou doido, por essa fixação pelos ônibus. Meu pai já chegou até a me levar ao psicólogo, mas é uma paixão que surge do nada como qualquer hobby e que nos faz muito feliz'', destaca.
Mais experiente entre todos os busólogos, o aposentado Salomão Golandski, 63 anos, confirma que ser chamado de doido devido ao hobby nem o incomoda mais. ''Minha mãe nunca entendeu essa admiração e minha esposa vive dizendo: 'lá vai ele atrás dos ônibus de novo', mas eu não ligo. Só eu sei o que os ônibus representam pra mim. Quando estou em um ônibus, fico nostálgico, lembro de momentos únicos da minha vida. Me faz lembrar a infância e tudo de bom que vivi'', revela.
O grupo foi recebido pelo presidente da empresa, Mário Luft. A empresa completa este ano 78 anos e possui cerca de 2000 funcionários.

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