Um grupo de motociclistas chamou a atenção de quem passou próximo à Avenida Bandeirantes, na Área Central de Londrina, no final da manhã de ontem. Dezenas de membros do Motoclube Cobra, de Apucarana, se reuniram para prestar solidariedade e acompanhar a alta médica de uma de suas integrantes. Camila Adriana Tamiya, 23 anos, permaneceu internada por 19 dias, cinco deles na UTI, e teve que amputar parte da perna direita após sofrer um acidente de trânsito envolvendo sua moto.
Antes de sair do hospital, Camila fez questão de afirmar que a fatalidade não diminuiu sua paixão pelas motocicletas e diz que fez questão de manter o alto astral. ''Eu fui atingida na madrugada do último dia 30 por um motorista que dirigia na contramão. Perdi parte da minha perna, mas em breve vou colocar uma prótese e levar uma vida normal. O mais importante é que estou viva e voltarei a andar de moto em breve, só que pretendo trocar a minha moto de 650 cilindradas por um triciclo'', revelou a jovem, que trabalha como vendedora e cursa Filosofia.
Segundo a médica que a atendeu, Camila apresentava um quadro de infecção na perna quando chegou ao Hospital do Coração, na tarde do dia 31. ''Não havia mais circulação na região atingida pelo acidente e a única alternativa foi amputar parte da perna'', afirmou a médica circurgiã vascular Mônica Filgueiras Arena.
A jovem conta que a paixão por motocicleta começou ainda na infância. ''Meu pai também é motociclista e minha mãe o acompanhou durante anos nas viagens que ele fazia. Sou louca por motos'', enfatiza.
Há cinco anos, Camila compartilha seu hobbie com os integrantes do Motoclube Cobra de Apucarana. ''Somos 45 integrantes e nos reunimos todas as semanas para fazer viagens e ações filantrópicas em grupo, como visita a asilos, campanhas de agasalho e outras'', diz Camila.
''O Motoclube Cobra foi fundado em 2009 em Apucarana e nunca tivemos nenhum acidente envolvendo nossos integrantes, pois respeitamos as leis de trânsito e procuramos cuidar de nós e dos outros motoristas também, prova disso é que Camila não teve culpa no acidente sofrido por ela'', afirmou o presidente do grupo, Newton César Neves.
O grande número de acidentes envolvendo motocicletas sempre foi motivo de preocupação para a mãe de Camila. ''Nunca consegui dormir antes de saber que ela havia chegado bem em casa. Estou sofrendo muito o que está acontecendo, mas não me sinto no direito de questionar a paixão delas por motos. Ela é uma excelente piloto e vou voltar a andar na garupa dela assim que for possível. Apesar de tudo, ganhei minha filha pela segunda vez. Ela é uma guerreira e juntas vamos superar esse sofrimento'', ressaltou Vera Lúcia Pinto.

Veja mais fotos do reencontro entre os amigos de motoclube:

Paixão inabalável por motos
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