Evangelizar por meio da arte, resgatando os valores da Páscoa, com o trabalho da espiritualidade e com a sociabilização das comunidades envolvidas. São essas as propostas de um grupo de moradores do Conjunto Lindóia (Zona Leste de Londrina) e de outros sete bairros adjacentes engajados na organização, pelo 11º ano consecutivo, da encenação do espetáculo da Paixão de Cristo. Desde que surgiu, o evento, que conta com apoio de voluntários - dos atores a recursos capazes de viabilizá-lo -, é organizado pela Paróquia Cristo Bom Pastor, ao lado da qual, em um campo de futebol, acontece na próxima sexta-feira, às 20 horas, o resultado de cinco semanas de ensaios. Um pouco antes, às 19h30, é realizada a procissão luminosa. É aguardado um público de pelo menos 6 mil pessoas.
Ao todo, segundo a organização, são cerca de 180 pessoas envolvidas com a montagem, 80 delas atores. Ontem à tarde foi realizado o último ensaio para o espetáculo da Sexta-Feira Santa, que, pela tradição católica, marca a Via Crúcis e a crucificação de Jesus Cristo, no calvário.
''Trabalhamos expressões vocal e corporal, ensaiamos, fizemos até rifa de um quadro, que nos foi doado por uma artista plástica, para possibilitar recursos para mais um ano do espetáculo. Mas o importante disso tudo, é ver jovens que têm pouco contato entre si, de várias comunidades, se unirem: eles se preparam para a Páscoa com oração'', avalia uma das organizadoras, Márcia Maria Avansini. ''É inclusão e evangelização com arte''. finaliza.
Pelo segundo ano seguido no papel principal, o 'Cristo' Oscar Gomes do Nascimento, 23 anos, conta que é diferente, agora, estar no papel principal - ele que já interpretou o cego e o soldado. ''É uma grande responsabilidade, mas o importante é que a equipe toda interage, em oração, no sentido de resgatar os verdadeiros valores da Páscoa, e não esses valores comerciais que vemos hoje'', considera.
Há 11 anos participante da montagem - começou como soldado, foi apóstolo, e, este ano, ele será Caifás -, o gerente comercial Leonardo Borges Pereira, 49, se emociona ao falar da encenação: para ele, mais que uma peça teatral, essa é a oportunidade de ''aproximar mais as pessoas''. ''Todo mundo fica com ocoração mais aberto, se doa muito mais, e, no dia-a-dia, começa a avaliar aquilo que fez ao longo do ano todo, pois a devoção à oração é outra. Só por isso, o espetáculo e a preparação para ele já valem muito a pena''.

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