Em vez do tradicional culto de domingo, centenas de evangélicos foram ao cinema ontem de manhã. De um lado, muito sofrimento; de outro, a extrema compaixão. Foi isso que eles viram na sessão especial do filme ''A Paixão de Cristo'', em um shopping de Londrina. A reconstituição cinematográfica das últimas 12 horas da vida de Jesus Cristo emocionou a platéia.
A sessão matutina foi organizada pela Igreja Batista Central e Instituto Bíblico Batista Ágape Smith (Ibbas). Ao final da exibição, o público foi convidado a opinar sobre o filme respondendo a uma pesquisa. O pastor Esequias Santana destacou as qualidades técnicas da película e disse que o diretor se apegou aos relatos contidos no Novo Testamento. ''Ele foi fiel na maior parte mas é importante lembrarmos que essa é uma obra de ficção''.
Antes da exibição, o pastor destacou que a idéia da sessão especial era justamente chamar a atenção das pessoas e mostrar que o sofrimento alheio - ''das crianças carentes, dos marginalizados'' - pode ser combatido e evitado.
O sacerdote André Scaff, 42 anos, também achou que Gibson retratou com fidelidade, em uma obra de ficção, as últimas horas da vida de Jesus. ''Acho que a mensagem principal foi passada, que é o poder do perdão'', salientou. A secretária Camila Lopes Tanganelli, 26 anos, exaltou o fato de o filme ''trazer a realidade de todo o sofrimento que Cristo passou por nós. É momento de refletir para levar o amor a todos, sem distinção'', apontou.
''Gostei do filme e achei que está de acordo com o que diz a Bíblia'', ressaltou a musicista evangélica, Ana Cláudia Moraes Soares, 26 anos. Para ela, a obra ''reafirma a fé e o entendimento de que quem matou Jesus foram os nossos pecados''.
Já o industrial Dirceu Franciscon, 47 anos, achou o filme ''ótimo'' mas criticou o excesso de agressividade em alguns momentos. Mesmo assim, ele destacou o fato de que, no momento atual de guerras e de intolerância, a mensagem de amor ao próximo vem em hora mais do que certa. ''A mensagem é extremamente positiva. Chama a atenção para aqueles que ainda não crêem em Cristo'', comentou. Franciscon assistiu à obra ao lado de uma filha de 14 anos. ''Foi importante para ela também'', destacou.
O estudante Gabriel Toledo, 11 anos, ainda estava sem fôlego quando conversou com a Folha. ''Achei o filme bom e demonstrou como foi o sofrimento de Jesus''. Ele se espantou um pouco com a violência das imagens da Via Crucis. ''Acho que não vou ver de novo'', confessou. Mesmo assim, disse que vai indicar para os amigos.

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