Paisagens conhecidas, olhares diferenciados
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domingo, 19 de agosto de 2007
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
As paisagens podem até ser conhecidas. Mas os olhares certamente são diferenciados. Foi assim, munido das mais diversas máquinas fotográficas, que um grupo de cerca de 40 pessoas fotografou pontos conhecidos de Londrina. O evento, chamado de Passeio Fotográfico, foi organizado pelo Foto Clube de Londrina para marcar o Dia Mundial da Fotografia, comemorado ontem.
Ao todo, foram percorridos e fotografados 15 pontos turísticos na região central da cidade, entre eles, o Museu Histórico, Praça Floriano Peixoto, Concha Acústica, Memorial do Pioneiro e Calçadão. ''O objetivo do passeio, além de comemorar o Dia da Fotografia, foi divulgar o Foto Clube e fotografar os principais pontos turísticos de Londrina'', disse o presidente do Foto Clube, Rui Cabral. A intenção, segundo ele, é fazer uma exposição com as imagens captadas ontem.
Observar é preciso - À espera de momento e ângulo ideais para suas fotos ontem, o fotógrafo Suren Saadjian, de 78 anos, contou que fotografa desde 1948, quando ganhou do tio uma máquina ''complicada'', vinda da Rússia, com a qual não sabia mexer. Foi ''decifrando'' a máquina, com a ajuda de outros profissionais, que nasceu o gosto pela fotografia. ''Para fazer uma boa foto, é preciso conhecimento técnico, mas o mais importante é a observação'', disse. ''O equipamento é importante, mas não fundamental. O que faz um bom fotógrafo é o olhar'', observou Mário Jorge de Oliveira Tavares, também do Foto Clube.
Saadjian ainda não aderiu à era das máquinas digitais. ''O filme ainda me satisfaz, é um processo mais seletivo do que quantitativo'', afirmou. A opinião é compartilhada pelo arquiteto Christian Steagall-Condé: ''A digital tirou a capacidade do fotógrafo de pensar''. Mas ele pondera que, se a máquina, mesmo digital, tem algumas restrições, como a falta do obturador, que controla a velocidade para entrada de luz, pode-se ''voltar a pensar''. O arquiteto chamou a atenção pelo tamanho da sua máquina fotográfica - a miniatura de uma Leica, em uma proporção de um terço da original.
Ele explicou, para quem não conhece, que a M3 é uma câmera clássica, usada por Henri Cartier-Bresson, um dos principais nomes do fotojornalismo. ''É uma câmera robusta, com uma lente muito límpida, que os fotógrafos amam. Para mim, é a minha primeira digital, e estou usando o Dia Mundial da Fotografia para estrear'', disse.
Desde a infância - Fotografar também pode ser uma paixão desde a infância. Exemplo é a pequena Heloísa Vedove, de cinco anos. O pai, Maurício Vedove, de 27 anos, fez questão de ressaltar que era ela, não ele, quem estava participando do passeio fotográfico. ''Quando ela ficou sabendo, quis participar. Ontem (anteontem), ficamos a manhã toda treinando no calçadão e hoje (ontem) ela acordou preocupada se não estava atrasada'', contou o pai. Com a câmera na mão, Heloísa, que fotografa desde os quatro anos, gosta muito de tirar fotos de si mesma, no espelho, da própria sombra e de árvores.
Marina Ito, de 10 anos, também está começando na fotografia, mas já opina sobre o principal elemento para fazer uma boa foto: ''o mais importante é gostar de fotografar''. Estudante de Artes Visuais, Gisele Christina Cabrera, de 20 anos, aproveitou o passeio para produzir material que vai usar no trabalho de conclusão de curso. ''O bom é que também estou praticando'', disse. ''Gosto muito de arte e de fotografia e vim participar'', completou Sônia Aparecida Lunardelli, de 48 anos.
Serviço:
Quem se interessa por fotografia, profissional ou amador, pode frequentar o Foto Clube de Londrina, que fica na Avenida Souza Naves, próximo ao Circo Funcart. As reuniões acontecem todos os sábados, das 16h às 18 horas.


