Pais vão ao NRE por falta de vagas
Telma Elorza
De Londrina
Pais de alunos de dois bairros de pontos diferentes de Londrina estiveram, ontem de manhã, no Núcleo Regional de Educação (NRE), para reclamar da falta de vagas nas escolas estaduais dos bairros e a cobrança ilegal da contribuição para as Associações de Pais e Mestres (APMs) no ato da matrícula. Sem combinar antecipadamente o encontro, moradores do Conjunto Parigot de Souza, na zona norte, e Parque das Indústrias, zona sul, procuraram a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Maria Genoveva Belucci, para garantir a vaga dos filhos nas Escolas Estaduais Adélia Dionísio Barbosa e Albino Feijó Sanches, respectivamente. Saíram de lá com a garantia de que todas as crianças seriam matriculadas.
Segundo a empregada doméstica Marli Perucci Negrette, 23 anos, moradora do Parque das Indústrias, cerca de 60 crianças, que deveriam cursar a primeira série do ensino fundamental no próximo ano, não conseguiram vaga. Faltam salas na escola e eles não estão aceitando nem transferência de alunos, contou. Marli Negrette disse que não pode perder a vaga no colégio senão a filha vai ter que sair também da creche, onde fica meio período para que ela trabalhe. A creche só aceita se as crianças estudarem ali. Eu vou ter que deixar de trabalhar para levar minha filha para a escola, reclamou.
A promotora de vendas Rosa Maria Nogueira Andrade, 28 anos, tinha o mesmo problema que a vizinha Marli. Ela reclamava também da cobrança de taxa da APM. Eles dizem que é espontânea, mas se você não pagar não garante a matrícula. Além disto, durante o ano, cobram R$ 2,00 por mês para cobrir gastos do xerox. Minha filha, que já estuda lá, traz todo mês um bilhetinho que a professora passa no quadro para cobrar os pais, disse.
Já os moradores do Parigot entregaram para Genoveva Belucci um documento apontando supostas irregularidades cometidas pelo diretor Edno Mariano dos Santos. Os pais denunciam a direção da escola e a APM pelo fato de as vagas serem preenchidas por quem paga primeiro a taxa de matrícula no valor de R$ 13,00. Eles pressionam a gente a pagar. Para fazer matrícula tem que levar o dinheiro e passar antes pela mesa da APM. Fui falar com o Edno e ele me disse que o dinheiro seria usado para pagar pedreiros, afirmou Darlene Silva Jablonski, 40 anos, desempregada.
Segundo outro pai de aluno do Adélia, Cláudio Luís dos Santos, uma cópia do documento seria entregue à Promotoria Pública, ainda ontem, para que fossem tomadas providências contra a cobrança ilegal e investigado o uso do dinheiro já recolhido pela APM. Se quem paga as obras nas escolas é o Fundepar (Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná), como eles podem alegar que vai para obras, questionou.Moradores da periferia afirmam que há falta de salas de aula; também denunciam cobrança de taxa de matrícula
Fotos Mário CesarCOBRANÇAOs pais de alunos de escolas de Londrina, reunidos com a chefe do Núcleo de Educação: providênciasMarli Negrette: faltam vagasDarlene Jablonski: pagar taxaGenoveva Belucci: acompanhamento





