País terá mais aparelhos que gente
No ritmo de crescimento sempre constante apresentado pelo setor de telecomunicações sem fio, quem estuda o tema estima que até 2015 é bem possível que o Brasil tenha mais telefones celulares do que habitantes. Isso já acontece em Brasília e Ribeirão Preto desde 2004. O último levantamento divulgado pela Anatel, referente a maio, dos 130,5 milhões de celulares habilitados no país 105,6 milhões (80,95%) eram pré-pagos e 24,9 milhões (19,04%) pós-pagos.
O consultor de telecomunicações, Mário Jorge de Oliveira Tavares, analisa que esta vertiginosa expansão só foi possível graças à privatização, que rendeu R$ 22,05 bilhões (a segunda maior já realizada no mundo) aos cofres da União. Citando Ethevaldo Siqueira, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, o consultor aponta que à época da venda das licenças da telefonia celular, concluídas em 1998, o Brasil possuía apenas 5,2 milhões de unidades.
Do balanço de perdas e danos da privatização das telecoms, só com muita má vontade pode-se concluir que o país perdeu, ressalta Tavares. O consultor lembra que não fosse a privatização, o governo jamais teria condições de investir tanto no setor que, provavelmente, estaria hoje patinando em atrasos. Até dois anos atrás, as teles (incluindo fixas e móveis) já teriam investido cerca de R$ 135 bilhões no país. Além do que, a venda das teles também significou uma vacina contra a corrupção.
A Anatel deu prazo até outubro para as operadoras de telefonia móvel entregarem os projetos com os primeiros pequenos municípios a terem acesso ao serviço móvel pessoal. A universalização se dará em três etapas conforme cronograma apresentado pelas empresas, que têm até fevereiro de 2010 para chegarem a 100% do território nacional.
No Paraná, o gerente operacional de fiscalização de serviços da Anatel, engenheiro Marcelo Ferreira Martins, afirma que o telefone celular não funciona em praticamente nenhum dos 152 pequenos municípios porque só em dezembro do ano passado foram incluídos no leilão para exploração das freqüências de terceira geração (chamadas de 3G ou banda larga). A grande maioria não tem nenhuma cobertura. Somente em alguns deles, nos pontos mais altos, é possível usar o sinal de uma localidade vizinha, aponta. (L.A.)





