Os pais de Luciene de Paula Ribeiro Smoralek, a curitibana assassinada no Chile há 44 dias, querem fazer o reconhecimento do corpo que chegou ao Brasil na terça-feira. ‘‘Pode passar um dia ou dez anos, mas quero ver o corpo’’, disse o pai da jovem, Paulo de Paula, 47 anos. O sepultamento foi suspenso ontem pela Justiça. Os pais de Luciene e o marido dela, Aristóteles Smoralek, têm audiência hoje, às 15 horas, para tentar chegar a um consenso sobre o local do enterro. Smoralek exige que o funeral aconteça no cemitério da Água Verde, em Curitiba. A família quer realizar o sepultamento em Campo Largo.
Enquanto o corpo de Luciene permanecia sendo velado, em caixão lacrado, na capela do cemitério municipal São Francisco de Paula, advogados tentavam obter no Fórum criminal uma liminar que poderia autorizar a abertura do caixão. Mas quem chegou com um resultado da Justiça foi o advogado de Smoralek, Osmann de Oliveira. Ele entregou um ofício do juiz Virgílio Castelo Branco, da 4ª Vara da Fazenda Pública, para que o chefe do serviço funerário municipal, Paulo Polatti, prestasse todas as ‘‘informações devidas’’.
Depois de consultar a assessoria jurídica da Prefeitura, Polatti decidiu que o sepultamento estava cancelado. O caixão com o suposto corpo de Luciene permanecerá no Instituto Médico Legal (IML) até que o impasse entre Smoralek e os pais da jovem seja resolvido. Emocionada, a tia de Luciene, Rosiclair Maria Ribeiro dos Santos, 35 anos, fez um apelo à Justiça. ‘‘A mãe tem o direito de ver a filha. Queremos acabar com esse sufoco de 40 dias’’, afirmou.
O advogado de Smoralek, Osmann de Oliveira, disse que ‘‘ninguém vai se opor’’ ao reconhecimento. Osmann disse que só não abre mão da vontade de seu cliente de sepultar a mulher em Curitiba. ‘‘Ele é o tutor da família’’, argumentou. O advogado de defesa voltou a negar que Smoralek seja o autor da morte de Luciene, como suspeita a polícia chilena. ‘‘Continuamos a negar que o Aristóteles cometeu o crime. No Chile não se esclareceu nada, só fizeram alarido, uma acusação injusta’’, disse.
A confusão gerada a partir da disputa sobre o local de sepultamento ganhou ontem mais ingredientes. A imprensa teve acesso a documentos que acompanharam o translado do corpo de Luciene para o Brasil. Na autorização de sepultamento expedida pelo IML chileno, por exemplo, a identificação do sexo da garota foi registrado como ‘‘masculino’’. O nome de Luciene também está errado - aparece como ‘‘Luciane’’. As autoridades brasileiras também contribuíram para o desencontro de documentação. No termo de entrega do corpo de Luciene, feito pela Inspetoria da Receita Federal, em São José dos Pinhais, o descarregamento do caixão foi oficializado na quarta-feira, dia 16. No entanto, o fiscal da RF autenticou o termo com a data de 6 de agosto de 98.

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