‘‘O telefone não parou de tocar o dia inteiro. Os pais não queriam levar os filhos para a aula de jeito nenhum’’, disse ontem a diretora da Escola Estadual Kazuko Ohara, Enedméa Regina Martins. A escola fica exatamente nos fundos do 3º Distrito, onde houve tentativa de fuga na quinta-feira e rebelião no sábado.
‘‘Graças a Deus a rebelião foi fora do período de aula. Mas isso é uma preocupação eterna. Desde que desativaram o Cadeião da rua Sergipe (área central) e transferiram os presos para cá, nós não tivemos mais sossego’’, reclama a diretora. Após muitas argumentações, ela conseguiu convencer os pais a mandarem seus filhos para a escola. Mas não sabe até quando eles farão isso.
Enedméa Martins esteve ontem pela manhã na sede do Núcleo Regional de Ensino, para relatar a situação da escola à direção da entidade. À noite, tinha marcada reunião com pais de alunos, onde discutiriam o mesmo assunto. Entre as propostas que deverão surgir na reunião, está exatamente a paralisação das atividades do colégio, por tempo indeterminado. ‘‘Para nós isso traria um prejuízo enorme, porque o calendário já está apertado. Mas a decisão será mesmo dos pais e eles querem uma solução imediata’’, enfatizou.
Além da reunião, a diretora já mandou diversos ofícios e abaixo-assinados para diversas secretarias de Estado, pedindo a transferência do distrito para outro lugar. Ontem mesmo, segundo ela, mais um abaixo-assinado começou a ser recolhido, desta vez destinado ao secretário estadual de Segurança, Cândido Martins.
A preocupação de Enedméa Martins não é justificada apenas pela proximidade da escola com o distrito, mas também pelos fatos que vêm ocorrendo. Em agosto do ano passado, por exemplo, um preso conseguiu pular o muro do distrito, com a ajuda dos colegas, caiu dentro da escola e saiu correndo por entre as salas de aula. Acabou preso no estacionamento da escola, depois da perseguição dos policiais e alguns tiros para o alto. A fuga ocorreu pouco depois das duas horas da tarde, horário de aula. A presença do fugitivo e consequente perseguição causou pânico entre alunos e professores.
Em Londrina, outra escola passa por uma situação parecida à do Kazuko Ohara. Na região dos Cinco Conjuntos (zona norte) fica a Escola Municipal Ruth Lemos, que mantém aproximadamente 950 alunos. Da quadra de esportes, onde as crianças praticam educação física, dá para avistar os fundos do 5º Distrito, interditado no último mês pelo juiz corregedor Roberto do Valle por falta de condições para abrigar os detentos.

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