Após os cursos preliminares e a conferência de abertura no último domingo, o 13º Congresso Brasileiro de Toxicologia teve início ontem em Londrina. Até quinta-feira, o evento discutirá tópicos variados sobre a área, que vão desde dopagem no esporte e cosméticos até destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos e acidentes biológicos.
  Desde ontem, e até o último dia do evento, o congresso sedia também o Encontro Nacional dos Centros de Informação e Assistência Toxicológicas do Brasil. O país todo tem cerca de 30 centros do tipo, a maioria deles representada no congresso. Segundo a coordenadora-geral do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital Universitário (HU), Conceição Turini, os debates visam traçar uma reestruturação na área, de forma a criar uma rede nacional de centros.
  ‘‘Os trabalhos em assistência toxicológica poderiam sofrer uma grande evolução com a padronização das atuações destes centros e da armazenagem de dados’’, argumenta Conceição. Segundo ela, o Paraná tem três centros de assistência – além de Londrina, existem unidades em Curitiba e em Maringá. O centro do HU funciona desde 1985, atende de 150 a 200 pacientes por mês e cobre a macrorregião norte do estado, quase 90 municípios.
  As intoxicações registradas pela unidade de Londrina são causadas principalmente por animais peçonhentos, medicamentos e praguicidas. O número de centros em todo o país, segundo Conceição, não é suficiente, visto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma unidade do tipo para cada um milhão de habitantes.
  ‘‘Esta defasagem é ocasionada por questões de estrutura, financeiras e humanas, relacionadas à falta de capacitação. A toxicologia é uma ciência nova e não consta do currículo de cursos como medicina e enfermagem’’, argumenta a coordenadora. O professor Dermeval de Carvalho, da Universidade de Ribeirão Preto (SP), que proferiu ontem palestra sobre toxicologia de medicamentos, concorda.
  ‘‘O setor de toxicologia brasileiro tem competitividade em todas as áreas atualmente, mas a relação entre a universidade e a iniciativa privada precisa ser modernizada’’, explica. Ele cita que uma maior capacitação em toxicologia poderia contribuir para reverter a crise do mercado da indústria farmacêutica do país, que teve uma queda de 8% entre 2001 e 2002.

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