País tem 30 centros de toxicologia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Após os cursos preliminares e a conferência de abertura no último domingo, o 13º Congresso Brasileiro de Toxicologia teve início ontem em Londrina. Até quinta-feira, o evento discutirá tópicos variados sobre a área, que vão desde dopagem no esporte e cosméticos até destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos e acidentes biológicos.
Desde ontem, e até o último dia do evento, o congresso sedia também o Encontro Nacional dos Centros de Informação e Assistência Toxicológicas do Brasil. O país todo tem cerca de 30 centros do tipo, a maioria deles representada no congresso. Segundo a coordenadora-geral do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital Universitário (HU), Conceição Turini, os debates visam traçar uma reestruturação na área, de forma a criar uma rede nacional de centros.
Os trabalhos em assistência toxicológica poderiam sofrer uma grande evolução com a padronização das atuações destes centros e da armazenagem de dados, argumenta Conceição. Segundo ela, o Paraná tem três centros de assistência além de Londrina, existem unidades em Curitiba e em Maringá. O centro do HU funciona desde 1985, atende de 150 a 200 pacientes por mês e cobre a macrorregião norte do estado, quase 90 municípios.
As intoxicações registradas pela unidade de Londrina são causadas principalmente por animais peçonhentos, medicamentos e praguicidas. O número de centros em todo o país, segundo Conceição, não é suficiente, visto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma unidade do tipo para cada um milhão de habitantes.
Esta defasagem é ocasionada por questões de estrutura, financeiras e humanas, relacionadas à falta de capacitação. A toxicologia é uma ciência nova e não consta do currículo de cursos como medicina e enfermagem, argumenta a coordenadora. O professor Dermeval de Carvalho, da Universidade de Ribeirão Preto (SP), que proferiu ontem palestra sobre toxicologia de medicamentos, concorda.
O setor de toxicologia brasileiro tem competitividade em todas as áreas atualmente, mas a relação entre a universidade e a iniciativa privada precisa ser modernizada, explica. Ele cita que uma maior capacitação em toxicologia poderia contribuir para reverter a crise do mercado da indústria farmacêutica do país, que teve uma queda de 8% entre 2001 e 2002.


