País tem 12 milhões de voluntários
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domingo, 30 de dezembro de 2001
Telma Elorza<br>Reportagem local 
Com um contigente cada vez maior de excluídos milhões de pessoas vivendo abaixo do nível da pobreza o Estado, hoje, não é mais capaz de resolver sozinho os problemas sociais. Precisa de parcerias e do envolvimento de pessoas comuns na busca pela cidadania. O chamado terceiro setor da economia, movido por inúmeras organizações não-governamentais (ONGs), é hoje o maior responsável por soluções a problemas comunitários. Calcula-se que, no Brasil, existam mais de 250 mil entidades voltadas à promoção social, que empregam 1,5 milhão de trabalhadores. Mas a força motriz dessas entidades são os cerca de 12 milhões de voluntários, que doam seu trabalho em ações de ajuda ao próximo.
Segundo uma pesquisa feita pela Central de Voluntários de Minas Gerais, a maioria dos voluntários brasileiros é formada por pessoas das mais variadas classes sociais, com idades, profissões e experiências de vida muito diferentes. Mas que têm em comum a indignação com o sofrimento alheio e que se cansaram de se sentir impotentes. Essas pessoas, de acordo com a Central de Voluntários, descruzaram os braços ao se dar conta que podem ser agentes de transformação social. E mostram que nem sempre é preciso ser um profissional treinado ou capacitado para ajudar alguém.
Porém, ao lado dos milhões que ''arregaçaram as mangas'' e foram à luta contra as misérias humanas, existem outros tantos que gostariam de fazer o mesmo mas que, por um motivo ou outro, adiam seu envolvimento. Segundo o site Portal do Voluntário (www.portaldovoluntario.org.br), estima-se que 14 milhões de jovens e 10 milhões de adultos querem ser voluntários mas não sabem por onde começar. Entre os jovens, apenas 7% da população já atua na área, contra 62% nos Estados Unidos.
Segundo o portal, a média de doações e contribuições para atividades sociais também é pequena, em torno dos R$ 23 por ano para os 5 milhões de brasileiros que pagam Imposto de Renda. Outro dado assustador, porém, é que enquanto as empresas gastam mais de R$ 4 bilhões ao ano em segurança patrimonial e pessoal de seus executivos, investem apenas R$ 5 mil por mês em filantropia.


