Maigue Gueths
Todo ano, 15 milhões de adolescentes, casadas ou não, engravidam no mundo. Só no Brasil, são um milhão de grávidas entre 10 e 19 anos, gerando 238 mil abortos. No Paraná a realidade é igual: 22% dos partos realizados no Estado são de garotas nesta idade. Os números assustam, mas poucas são as ações do sistema público que enfrentam este problema de frente. Com isso, a gravidez de adolescentes continua aumentando ano a ano. A gravidez precoce não é um problema isolado. Adolescente grávida significa quase sempre um retrocesso na vida de ambos, menino e menina.
Na maioria das vezes, a garota abandona os estudos para cuidar do bebê, não se qualifica profissionalmente e se submete a salários baixos. Há ainda o aspecto familiar, já que é comum o rapaz não assumir a paternidade. Com isso, sobra mais responsabilidade sobre a menina, que precisa enfrentar o medo de contar a sua história para a família. Quando o garoto assume, muitas vezes ele também pára de estudar para poder trabalhar e sustentar o bebê. Assustados diante desta realidade, governos do mundo todo começam a estabelecer programas e redigir leis que minimizem a situação. No Brasil, o governo federal também está abrindo os olhos para o problema e o Ministério da Saúde promete para o próximo ano uma grande campanha de conscientização e prevenção da gravidez na adolescência.
Quem trabalha em programas junto a adolescentes é unânime em afirmar que este estouro da gravidez precoce não significa falta de informação. ‘‘A informação é importante, mas não é tudo. Os adolescentes conhecem os anticoncepcionais, sabem usar camisinha, mas não usam. Eles sempre acham que não vai acontecer com eles’’, diz a psicóloga Célia Fonsati, que trabalha há oito anos no Centro Regional de Especialidades (CRE) da Secretaria da Saúde, atendendo grupos de gestantes precoces. ‘‘Não adianta só receber informação, o adolescente precisa ter um espaço onde também possa falar e seja escutado. Caso contrário, ele vai colocar em ato aquilo que não entende ou não consegue falar’’, diz.
Para Maria Cristina Rodrigues Gil, coordenadora estadual do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids da Secretaria Estadual de Saúde, o adolescente recebe um estímulo constante em direção à vivência sexual, através dos meios de comunicação e das propagandas, e isto é cobrado pela sociedade em geral. ‘‘O problema é que nem a família, nem a escola ou a igreja estão preparados para conversar sobre isto com o jovem. A sociedade não tem coseguido criar um espaço para que o adolescente possa colocar seus medos e falar de suas inseguranças’’, afirma.

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