Uma criança de dois anos foi espancada até a morte pela própria mãe e pelo padrastro, em Lajeado dos Vieiras, município de Rio Negro, no Sul do Estado, a cerca de 100 km de Curitiba. Jaison Ramos de Assis chegou morto ao hospital de Rio Negrinho (SC), que fica próximo a Lajeado do Vieira. O crime aconteceu anteontem, na casa da família. A mãe da vítima, Regina Aparecida Ramos de Assis, 23 anos, disse que bateu no filho para educá-lo porque ele fazia muita ‘‘arte’’. O padrastro Eládio Bayer, 33 anos, que é cortador de pinus, afirmou que não espancava a criança.
Até o final da noite de ontem, os peritos do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba não havia descoberto a causa exata da morte do menino devido à quantidade de espancamentos que ele recebeu durante a vida, informou o delegado de Rio Negro, Mário Sérgio ‘Bradock’ Zachesky. Segundo o delegado, a criança tinha os braços queimados e hematomas por todo o corpo. Bradoch disse que Jaison era vítima de surras com pedaços de pau, chutes, mordidas e beliscões. No IML, havia sido constatada hemorragia e tumores internos.
O delegado disse que Regina Aparecida já havia doado a criança quando ela tinha seis meses de vida. Depois acabou pegando a criança de volta. Apesar de o casal negar, Bradock acredita que o menino começou a atrapalhar o relacionamento de Bayer e Regina e por isso apanhava. ‘‘Qualquer problema que ocorria entre o casal, a mãe descontava na criança’’, disse o delegado.
O casal foi preso em flagrante em casa. Bayer e a mulher tinham abandonado o menino morto no hospital de Rio Negrinho, depois que um médico havia se recusado a dar a certidão de óbito. O delegado afirmou que, ao serem detidos, os dois não demonstraram nenhum arrependimento. ‘‘A morte acontece mesmo’’, teriam dito quando entraram no carro da polícia.
Apesar da dona de casa assumir sozinha as agressões contra o filho, o delegado manteve Bayer preso. Os dois devem responder por assassinato doloso qualificado, com pena prevista de 12 a 20 anos de prisão, caso sejam condenados. ‘‘Ela (Regina) livra a cara do companheiro’’, disse o delegado. ‘‘Mas um pai não pode ver sua mulher bater em uma criança e não fazer nada’’, afirmou. Para Bradock, Bayer contribuiu para que o crime acontecesse quando não impediu as agressões. ‘‘Ele tinha o dever de impedir que ela cometesse esse crime.’’ O delegado não sabe o nome do verdadeiro pai da criança, que ainda não compareceu à delegacia. O corpo do menino continua no IML de Curitiba.

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