Pais são acusados de espancar filho de dois anos até a morte
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quinta-feira, 16 de julho de 1998
James Alberti 
Uma criança de dois anos foi espancada até a morte pela própria mãe e pelo padrastro, em Lajeado dos Vieiras, município de Rio Negro, no Sul do Estado, a cerca de 100 km de Curitiba. Jaison Ramos de Assis chegou morto ao hospital de Rio Negrinho (SC), que fica próximo a Lajeado do Vieira. O crime aconteceu anteontem, na casa da família. A mãe da vítima, Regina Aparecida Ramos de Assis, 23 anos, disse que bateu no filho para educá-lo porque ele fazia muita arte. O padrastro Eládio Bayer, 33 anos, que é cortador de pinus, afirmou que não espancava a criança.
Até o final da noite de ontem, os peritos do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba não havia descoberto a causa exata da morte do menino devido à quantidade de espancamentos que ele recebeu durante a vida, informou o delegado de Rio Negro, Mário Sérgio Bradock Zachesky. Segundo o delegado, a criança tinha os braços queimados e hematomas por todo o corpo. Bradoch disse que Jaison era vítima de surras com pedaços de pau, chutes, mordidas e beliscões. No IML, havia sido constatada hemorragia e tumores internos.
O delegado disse que Regina Aparecida já havia doado a criança quando ela tinha seis meses de vida. Depois acabou pegando a criança de volta. Apesar de o casal negar, Bradock acredita que o menino começou a atrapalhar o relacionamento de Bayer e Regina e por isso apanhava. Qualquer problema que ocorria entre o casal, a mãe descontava na criança, disse o delegado.
O casal foi preso em flagrante em casa. Bayer e a mulher tinham abandonado o menino morto no hospital de Rio Negrinho, depois que um médico havia se recusado a dar a certidão de óbito. O delegado afirmou que, ao serem detidos, os dois não demonstraram nenhum arrependimento. A morte acontece mesmo, teriam dito quando entraram no carro da polícia.
Apesar da dona de casa assumir sozinha as agressões contra o filho, o delegado manteve Bayer preso. Os dois devem responder por assassinato doloso qualificado, com pena prevista de 12 a 20 anos de prisão, caso sejam condenados. Ela (Regina) livra a cara do companheiro, disse o delegado. Mas um pai não pode ver sua mulher bater em uma criança e não fazer nada, afirmou. Para Bradock, Bayer contribuiu para que o crime acontecesse quando não impediu as agressões. Ele tinha o dever de impedir que ela cometesse esse crime. O delegado não sabe o nome do verdadeiro pai da criança, que ainda não compareceu à delegacia. O corpo do menino continua no IML de Curitiba.


