Pais relaxam e esquecem de vacinar as crianças
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segunda-feira, 04 de setembro de 2006
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Nos últimos três anos, Londrina não conseguiu atingir a meta de vacinação contra a paralisia infantil. Os índices sempre ficam abaixo de 95%. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, mitos e falta de informação têm contribuído com a falta de interesse de pais em levarem seus filhos para tomar a vacina contra a doença. Diante disso, e de uma solicitação da Secretaria Estadual de Saúde, o município resolveu prorrogar a campanha de vacinação. Crianças de zero a 5 anos que ainda não foram vacinadas contra a poliomielite poderão receber a dose da vacina Sabin até sexta-feira.
''Desde a década de 1980 não foi registrado nenhum caso de paralisia infantil no Brasil. Isso tem feito com que as pessoas acreditem que não é mais importante vacinar as crianças. Outra coisa que tem acontecido muito são os mitos. Muitas pessoas acham que quando a criança está com um resfriado ou tosse não podem tomar a vacina, o que é um equívoco. Já existem casos de países asiáticos que tem manifestado novos casos da doença justamente porque crianças não tomam a vacina'', explicou a gerente de Epidemiologia da Secretaria da Saúde, Sônia Fernandes.
A meta do Ministério da Sa© úde é vacinar 95% das crianças de zero a 5 anos. Dados da Secretaria de Saúde mostram que até semana passada foram aplicadas 28.361 doses da vacina, ou seja, 72,01% do total de crianças em idade de vacinação, que chega a cerca de 39 mil. No dia 26 - Dia Nacional de Vacinação - a cidade registrou 27.466 atendimentos.
A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro clássico de paralisia. O vírus ainda circula em várias partes do mundo. Ainda segundo Sônia, a vacina não tem contra-indicação e, raramente, provoca reação nas crianças. ''O Estado vai vacinar até o dia 6 apenas, nós aqui em Londrina resolvemos aplicar a vacina até o dia 8, sexta-feira. No feriado, que cai na quinta, não haverá vacinação'', disse.
Famílias carentes da cidade ainda não sabem da importância da vacinação. A moradora do acampamento no Jardim Marieta (Zona Norte de Londrina), desempregada, Andréia da Silva Camargo, 29 anos, é mãe de três filhos, dois deles com idades para tomar a vacina. Indiferente com a campanha, Andréia disse que ''ainda não teve tempo para levar as crianças''. ''Sei que tenho que levar eles pra vacinar mas ainda não deu certo. Tem um monte de gente aqui com filhos pequenos, se você falar com qualquer um aí vai ver que ninguém ainda levou as crianças pra vacinar'', comenta.
Vizinha de Andréia, a dona-de-casa, Cristina da Silva Pereira, 27 anos, tem cinco filhos e está grávida de mais um. Três filhos dela estão na idade de tomar a vacina, porém ainda não tomaram. ''A campanha acaba essa semana? Eu vou ver se eu levo eles então. A greve também tem prejudicado a gente. Tive que parar com o pré-natal que estava fazendo porque o posto fechou'', reclamou.
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