Pais relatam drama de atropelamento
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba Rodin Dallegrave, seis anos, se abaixou para pegar um gato que corria pelo pátio da escola, foi atropelado por um ônibus que fazia o transporte escolar e morreu. Esse fato lembra muito o caso de Emerson Tocafundo, esmagado contra o muro por um ônibus no pátio do Colégio Nossa Senhora Medianeira. Pois, na verdade, aconteceu três meses antes do acidente de Emerson, em 1983, no mesmo colégio, no mesmo pátio, pela mesma razão: ônibus circulando no local onde os alunos transitavam. A família de Rodin nunca quis tocar no assunto e nem processar o Colégio Medianeira. Porém, 20 anos depois, os pais do aluno vieram a público relatar o caso como forma de solidariedade a Emerson, que está sofrendo com a intransigência da escola em custear seus tratamentos.
''Não quisemos entrar na Justiça para não mexermos no caso. Só sofreríamos mais. Seria uma agressão psicológica'', explicam os pais de Rodin, os médicos Paulo Roberto Dallegrave e Dina Paula Dallegrave. O casal contou ainda que o colégio nunca deu uma explicação exata do que aconteceu. Todas as informações mais precisas que os pais tiveram vieram de terceiros, como professores e funcionários do colégio. Hoje, eles não pretendem mexer judicialmente no caso, mas fazem questão de mostrá-lo para opinião pública como uma forma de repúdio à atitude que o Colégio Medianeira está tomando no caso de Tocafundo.
Emerson Tocafundo ganhou no início deste ano, em sentença de liquidação (quando não há mais como recorrer) do Tribubal de Justiça, o direito de ter todo o seu tratamento, do passado e do futuro, custeado pela escola. Já os pedidos de indenização por danos morais e de pensão, uma vez que Emerson não pode trabalhar, ainda transitam na Justiça. ''O Medianeira está descumprindo uma ordem judicial, pois não está pagando os orçamentos do tratamento que apresentamos a eles. A família não tem mais condições de custear todo o tratamento'', explica o irmão de Emerson, Ronaldo Tocafundo.
Quando questionado sobre o caso de Rodin, o advogado do colégio, Eloi Tambosi, diz que essa é uma questão resolvida já na época. Em 1994 o colégio decidiu parar de pagar o hospital e ingressar com uma ação contra Emerson e seu pai, Pedro, de isenção de responsabilidade e de cobrança dos valores já pagos. Depois disso, ele falou que a posição do colégio estava na nota divulgada, domingo, em um jornal. Um dos trechos do texto, diferente do que alega Ronaldo Tocafundo, diz que ''ao contrário do que a família afirma e é repetido por algumas pessoas na imprensa, o colégio sempre foi cumpridor de todas as decisões da Justiça''.


