País registrou 24,6 mil novos casos de hanseníase em 2014
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Flávia Foreque<br>Folhapress 
Brasília - O governo federal identificou no ano passado 24.612 novos casos de hanseníase no País, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde.
O número representa uma queda em relação aos casos identificados em 2013, mas indica um ligeiro aumento da prevalência de casos a cada 10 mil habitantes: de 1,42 caso nesse universo para 1,56. "Tivemos capacidade de diagnosticar aquilo que estava oculto", justificou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.
"Quando a gente olha os dez últimos anos, temos um declínio lento, gradual, mas consistente da enfermidade no nosso País. Podemos falar que a tendência da hanseníase no Brasil é para a eliminação, para o controle", completou.
A meta acordada com a Organização Mundial da Saúde (OMS) é chegar a menos de um caso para o grupo de 10 mil pessoas. A partir desse patamar, entende-se que a doença está sob controle. O objetivo inicialmente foi projetado para o ano 2000. "Optamos pela sustentabilidade das ações, não por fazer o decréscimo rápido, mas com risco de retrocesso", ponderou Rosa Castália, coordenadora de hanseníase e doenças em eliminação do ministério.
CAMPANHA NACIONAL
Na manhã desta quarta, a pasta lançou campanha nacional de luta contra a doença. Serão usados cartazes, folhetos para profissionais da saúde e informações divulgadas na internet. "Quanto antes as pessoas descobrirem, mais cedo vão se curar", destaca a iniciativa.
Rosa Castália destacou que a doença se concentra em Estados como Mato Grosso, Maranhão e Tocantins. "Ela tem grande concentração na borda externa da região amazônica e alguns Estados do Nordeste também", disse.
Para ela, adoção de iniciativas descentralizadas para o combate da doença ajudou na redução de novos casos, o que vem ocorrendo desde 2003. Entre elas, estão a estratégia da saúde da família e diagnóstico de crianças matriculadas na rede pública.
No dia 25 de janeiro é celebrado o dia mundial contra a hanseníase. O ministro da Saúde reconheceu que a doença ainda enfrenta estigma e, assim como as demais doenças negligenciadas, está associada a situações de pobreza e dificuldade de acesso a serviços de saúde.
A doença é transmitida pelas vias aéreas superiores e tem período de incubação muito longo, de até cinco anos. Entre os sintomas, estão manchas de diferentes colorações, perda de sensibilidade térmica e tátil.
A doença tem cura e o tratamento é oferecido de forma gratuita no SUS (Sistema Único de Saúde).


