Pais reclamam por transporte especial
Mauricio Della Barba
De Londrina
A falta de condições de transporte especial em Londrina está deixando inúmeras crianças excepcionais sem o atendimento devido. Os motivos são a insuficiência de veículos e a má conservação dos ônibus disponíveis.
Cada vez que quebra o ônibus é um desespero total, contou a empregada doméstica Maria Nicéia, mãe de um filha com síndrome de Down e moradora do Jardim Perobal (zona sul). Atualmente apenas dois ônibus um na zona norte e outro na zona sul , fazem o transporte diário das crianças entre suas casas e as entidades assistenciais. Não existe na cidade ônibus de linha urbana adaptados para o transporte de deficientes físicos e mentais.
Os dois ônibus, especialmente pintados na cor branca, são gerenciados em conjunto com a Secretaria de Ação Social e a Pastoral de Deficientes Físicos. Antigos e mal conservados, os ônibus vivem com problemas e quase sempre permanecem parados à espera do conserto. Eles ficam mais na oficina do que na rua, disse Maria Nicéia.
O ônibus da zona sul voltou a funcionar ontem, depois de mais de 20 dias parado. Segundo um dos motoristas do ônibus, a idade avançada é o principal motivo das quebras frequentes. Os ônibus são de 1958, foram adaptados várias vezes e apresentam muitos problemas, diz Sinvaldo de Almeida. O primeiro ônibus especial começou a circular em 1989, na zona norte. O último, para a zona sul, roda há cinco anos.
Cerca de 100 crianças utilizam os ônibus diariamente, para serem transportados para institutos como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), Centro Ocupacional de Londrina (COL) e Associação Flávia Cristina. Três funcionários da Pastoral e outros oito voluntários ajudam no embarque e desembarque dos excepcionais.
Sem o transporte, a maioria dos pais fica sem ter como levar os filhos ao atendimento. Atrapalha toda a vida da minha família. Trabalho fora para poder comprar os remédios necessários e não posso faltar para levar minha filha à escola. Aí tenho que deixar alguém cuidando em casa, contou Maria Nicéia. A mãe questiona a demora e cobra uma solução da Prefeitura quando o ônibus vai para o conserto. Nunca vi quebrar desse jeito e demorar tanto tempo para consertar. Por que não colocam outro no lugar quando isso acontece?
Para outra mãe, que mora no Conjunto São Lourenço (zona sul), a falta de opções no transporte prejudica as crianças. Eu até já tentei ir de ônibus normal, mas não consigo carregar meu filho de 10 anos, que tem 46 quilos, disse Maria Adélia Batista de Araújo. Outro motivo levantado pela mãe para que seja colocada uma linha de ônibus normal adaptado é a necessidade de passeios das crianças. As crianças só conhecem o caminho de casa até a escola. Como vamos passear com eles em outros lugares se não existe transporte adequado?, indagou.
Maria José de Oliveira Mazetti, moradora do Jardim Santa Rita (zona oeste), é outra mãe que tenta arrumar um transporte especial para seu filho. Já tentei de tudo e é um tal de empurra-empurra que ninguém quer se comprometer, disse. Maria José diz que sofre muito para levar todos os dias o filho de 37 quilos em um ônibus normal para a Apae. No ano que vem não sei se vou continuar levando. Os políticos deveriam por a mão na consciência e se colocar no nosso lugar para ver como é difícil, contou. A zona oeste não dispõe de ônibus branco.Apenas as regiões sul e norte de Londrina dispõem de ônibus para pessoas deficientes. Mas, velhos, veículos quebram com facilidade
Fotos Mário CésarPOUCOS E VELHOSFuncionária da Pastoral de Deficientes Físicos ajuda cadeirante a descer do ônibus branco. Apenas dois deles estão disponíveis, um na zona sul e outro na zona norte. Demais regiões não são atendidas. Abaixo, à esquerda, o motorista Sinvaldo de Almeida. À direita, amarras para cadeira de rodas





