Pais reclamam de ensino em tempo integral
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de julho de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local<br> ap6> 
Porecatu As escolas municipais de Porecatu (85 km ao norte de Londrina) ainda enfrentam a resistência de alguns pais ao sistema de ensino em tempo integral, adotado no início deste ano letivo. A maior parte das críticas partem de mães que não trabalham fora e, portanto, não têm necessidade que os filhos fiquem o dia todo na escola. Apesar da gravidade das denúncias feitas por algumas delas que chegaram por e-mail à Folha e ao Núcleo Regional de Educação (NRE) a Secretaria de Educação do município informa que as famílias descontentes são minoria.
''De 1.890 alunos da rede, 50 pais se mostraram desfavoráveis à educação em tempo integral'', informa a secretária de Educação, Risoleta Araújo Paduan. A maioria dos descontentes, lembra, está na Escola Aníbal Khury, localizada no Conjunto Habitacional Porecatu I. Ainda de acordo com a secretária, a estrutura existente nas escolas não permite que sejam montadas salas específicas para os filhos das famílias contrárias ao sistema.
Entre as denúncias enviadas ao jornal, estão as de que as crianças estariam bebendo água de torneira, dormindo no chão e brincando no sol, além de não se alimentarem bem por causa do gosto ruim da comida. ''Falta estrutura nas escolas para suportar o projeto, que não é ruim. Algumas salas foram divididas em duas, e as crianças ficam apertadas, no calor chegam a ficar suadas. Além disso, na hora do almoço ficam nas mãos de estagiárias, e eu acho isso muito grave. Nossos filhos estão sofrendo muito'', diz uma mãe que prefere não se identificar.
Para o casal Amarildo Ferreira e Lenice Manoel, o que mais preocupa no ensino integral é o cansaço demonstrado pelos dois filhos, de seis e oito anos. ''Eles não estão querendo mais vir para a escola. Além de ser cansativo, acho que as salas de aula ficaram muito apertadas, dá muita briga'', argumenta o pai, enquanto aguarda o casal de filhos na saída da Anibal Khury. Ele admite, porém, que prefere que os filhos fiquem na escola ao invés de passarem a tarde na rua.
Já a diarista Maria Neide Dias Mendes Souza, que tem quatro filhos na Escola Municipal Padre Franco Pasini, na área central, elogia a iniciativa e diz que agora fica mais tranquila. ''Antes eles tinham que ir para uma instituição à tarde, para eu poder trabalhar. Agora ficam só aqui, e estão gostando porque aprendem muita coisa, como dança, fanfarra e crochê.''
A diretora da Franco Pasini, Gabriela Ribeiro de Orlando, ressalta que um dos pontos positivos do projeto é trabalhar com as inteligências múltiplas das crianças, além de proporcionar bons hábitos de estudo e de alimentação. No início da tarde, antes de iniciarem os conteúdos complementares e após as atividades recreativas, os alunos fazem tarefas orientadas e reforço escolar. A diretora afirma ainda que permanece na escola todos os dias na hora do almoço, acompanhada de professores e estagiários.
''Alguns pais menos de 50, em um universo de 320 alunos preferem levar os filhos para almoçar em casa. Eles podem fazer isso, desde que assinem uma autorização e se comprometam a trazer a criança de volta'', explica Gabriela. A diretora admite que no início o sistema causou uma ''desestruturação'' e necessidade de readaptação, mas, segundo ela, os resultados têm sido muito satisfatórios, acima de tudo no que diz respeito à queda no índice de reprovação.


