Pais reclamam de corte no ensino integral em Ibiporã
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sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 
Ibiporã - A partir de 2019, três dos 17 CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) deixarão de atender crianças do berçário um e dois (de zero a três anos de idade), no período integral. A secretaria de Educação do município informou a medida aos pais no início de outubro, gerando reclamação de famílias, que falam em perda de direito adquirido. A pasta sustenta a necessidade de gerar mais vagas.

Juntos, os CMEIs Recanto dos Baixinhos, na região central; Professora Dálgima Eik Mendes Borges, no jardim Pérola (sul); e Professora Zilda Romana da Conceição, no conjunto Ângelo Maggi (norte); dispõe de 450 vagas para menores de cinco anos, sendo 222 para meninos e meninas entre zero e três anos. Não está descartado que o atendimento em todas as faixas etárias nestas instituições seja convertido em tempo parcial. Isto, porém, dependerá da demanda. Ao todo, Ibiporã atende 5.673 alunos na educação municipal, em que 1.217 são do berçário.
Mãe de dois filhos que estão matriculados no Recanto dos Baixinhos, maior creche entre aquelas que deixarão de ter educação integral, Erika Feliciano Telles aponta que faltou sensibilidade da secretaria para tratar o assunto. "Foi marcada uma reunião, em que os pais foram chamados, e esta questão foi apenas comunicada. Não foi pedida nossa opinião, não foi questionada nossa situação. Não podem pegar e simplesmente acabar com algo que vinha funcionando bem", opina a promotora de eventos.
Segundo ela, os pais foram informados que se quiserem que as crianças continuem com o ensino integral, deverão procurar outros CMEIs, porém sem a garantia que vão conseguir a vaga. "Se procurar outras creches não vai haver superlotação? Se há uma lista de espera, quer dizer que perdemos a vaga integral e não tem essa opção sugerida. Não é fácil uma criança pequena se adaptar e quando consegue vem este tipo de decisão", questiona.
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DISTÂNCIA
O vendedor Francis Anotti cita que outra questão sustentada pela secretaria de Educação foi de que Ibiporã tem uma média de 600 nascimentos por ano. "Então quer dizer que estão resolvendo o problema agora, mas ano que vem terão outras centenas de crianças para entrarem na creche. Ou seja, a cidade não vai ter mais ensino integral para esta faixa etária daqui alguns anos", calcula. "Além disso, vamos ter que levar nossas crianças para locais longe de nossas casas. Quem não tem carro ou é idoso como irá fazer?", lamenta ele, que tem também tem a filha matriculada no Recanto dos Baixinhos.
O município alega que se tivesse que atender a todas as crianças de berçário hoje inscritas, que são 680, seria necessário contratar um grande número de profissionais, o que contraria o que determina a lei de responsabilidade fiscal. "É um prejuízo para a criança, que deixa de ter uma educação completa ficando o dia todo na creche. Ela deixa de se desenvolver como vinha e é uma preocupação para os pais, que agora vão precisar achar alguém para cuidar em um dos períodos", relata uma mãe, que preferiu não se identificar. O filho dela frequenta o centro de educação Professora Dálgima Eik Mendes Borges. Alguns pais disseram que irão levar o caso ao MP (Ministério Público).
PLANO DE EDUCAÇÃO
O prefeito de Ibiporã, João Coloniezi (MDB), afirma que o município já segue o que preconiza o Plano Nacional de Educação. A lei define que as cidades atendam pelo menos 51% das crianças de zero a três anos até 2024. "Hoje atendemos 100% das crianças desta faixa etária e em tempo integral. Temos uma demanda pelo maternal e de muitos pais que trabalham. Então, vamos conseguir dobrar o atendimento (com a medida). Tivemos uma receptividade muito boa dos pais", alega. Para ele, as reclamações, assim como os transtornos, são pontuais.
Coloniezi explica que a escolha pelos três CMEIs levou em conta a localidade. "O Dálgima tem dois CMEIs próximos na mesma região, o Zilda também, e o Recanto dos Baixinhos é no centro. Nossos centros de educação são bem distribuídos. As mães que trabalham terão garantida a vaga (integral). Isto é justiça social", classifica. O chefe do Executivo ainda cita que dois prédios para educação infantil serão construídos e uma escola estadual que funciona em espaço de municipal terá nova estrutura em breve. "Até o final de 2019 serão mais mil vagas e vamos zerar a fila."
Sobre a grande quantidade de nascimentos por ano, que é uma das justificativas para a medida, o prefeito diz que isto não acarretará em nova demanda a partir do ano que vem por existir "mudança de ciclo", com crianças saindo da creche e indo para a escola. De acordo com dados da Anoreg-PR (Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná), Ibiporã teve 626 registros de nascimentos em 2017 e 616 em 2016. "Criança de zero a três anos precisam de atenção familiar. A obrigação do município é oferecer o serviço, o que estamos fazendo. Ninguém ficará fora do CMEI", garante.


