Implantada com o intuito de agilizar o sistema de transportes coletivo de Londrina e, principalmente, coibir o uso indevido dos passes escolares e o comércio dos vales transportes, a bilhetagem eletrônica pode substituir uma distorção por outra. Pais de estudantes reclamam que o novo sistema vai impossibilitar o uso do benefício para atividades extra-curriculares.
Para coibir o uso indevido, o bilhete eletrônico é programado para ser aceito apenas em determinadas linhas de ônibus trajeto entre casa e escola e horários. Assim, quem usava o passe escolar para outras atividades escolares, como trabalhos na biblioteca, treinos esportivos, etc, fica sem o benefício.
''Enquanto se incentiva cada vez mais tirar as crianças das ruas e lhes proporcionar uma atividade, esse sistema coibe'', afirma Alexandre Ribeiro de Andrade, 29 anos. Pai de um garoto de 9 anos, estudante do Colégio Vicente Rijo (Área Central), ele planejava colocar o filho em um projeto de futebol de salão. O treino acontece depois das aulas e acaba às 19 horas. ''Desse jeito extrapola o horário permitido pelo bilhete e serão descontadas duas passagens na volta'', afirmou.
Por conta disso, ele pretende protelar a mudança da carteirinha convencional pelo cartão eletrônico. Medida semelhante espera tomar a atendente de telemarketing Rosângela Branca, 45 anos, mãe de dois adolescentes. ''Sei que são apenas 40 passes mas a gente sempre dá um jeito de economizar. Um dia pega carona com alguém, no outro tem feriado e, com isso, dá para os meninos fazerem outras coisas'', afirmou. Ambos treinam basquete semanalmente e ela reclama que a atividade vai pesar no orçamento. ''Além disso eles sempre tem um trabalho para fazer na casa de um colega ou na biblioteca. Vamos ter que pagar a mais por isso?'', questionou.
O assessor técnico de transporte da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Marco Antônio Bacarin, admite que o sistema precisa de ajustes mas adianta que isso só vai ocorrer quando todos os 22 mil estudantes de Londrina já tiverem aderido à bilhetagem. Até agora pouco mais de 200 já têm o cartão.
''O passe é subsidiado e quem paga é o usuário, por isso não podemos permitir distorções como estudante usando o passe para ir para academia ou shopping'', apontou. Contudo, a CMTU estuda a implantação de créditos extras para casos especiais com anuência das escolas. ''As escolas poderão pedir crédito extra a alunos para ir a biblioteca, por exemplo, e fornecer os itinerários'', disse.
Ele acredita que isso só possa ser aplicado a partir do segundo semestre. O passe livre também só começará a ser estudado a partir desse ponto. A CMTU espera que com a correção das ditorções registre-se menor uso do passe-estudante. Essa diferença é que será concedida aos carentes. A companhia trabalha com uma estimativa de 20% de redução, o que beneficiaria 10 mil estudantes.

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