Já foi o tempo em que a função de babá limitava-se apenas olhar a criança enquanto os pais estavam fora. O serviço, que se restringia aos cuidados básicos com a alimentação e a higiene, mudou. Os pais aumentaram o grau de exigência, buscando babás que possam garantir o máximo de segurança e bem estar aos seus filhos. Além de fazer o trivial, que é manter a criança limpa e alimentada, é necessário ter conhecimentos de primeiros-socorros, prevenção de acidentes e nutrição, bem como ser capaz de estimular a criança de acordo com a sua faixa etária e, muitas vezes, conhecer o básico sobre informática, para acompanhar a criança nas tarefas escolares e no período em que ela utiliza o computador.
  Parece exagero, mas não é. O que os pais buscam é uma babá multifuncional, que os deixe tranqüilos de que seus filhos estão em ‘‘boas mãos’’.
  Londrina já tem uma empresa que treina e coloca babás no mercado. ‘‘As grandes capitais já contam com esse tipo de empresa. No Paraná só existe em Curitiba e agora aqui’’, diz a sócia-proprietária da Angele Dei, Vera Cristina de Moraes, que detectou a carência e a necessidade desse tipo de serviço na região. A iniciativa chamou a atenção de um vasto público, inclusive de pessoas já graduadas, especialmente nas áreas relacionadas à educação e saúde.
  O salário, que pode chegar a mil e quinhentos reais, é um dos principais atrativos para os alunos. Vera esclarece que a quantia paga depende das horas trabalhadas e da exigência da família. ‘‘Como os pais buscam babás qualificadas, que possuam cursos e experiência, a tendência é pagarem cada vez melhor’’, afirma.
  Os cursos oferecidos pela empresa despertaram o interesse de pais, educadores e até avós. ‘‘Os mais requisitados são os de primeiros-socorros, prevenção de acidentes, psicologia e desenvolvimento infantil, nutrição e brincadeiras’’, conta Vera, explicando que eles são divididos por módulos teóricos e práticos ministrados por uma equipe especializada em enfermagem, psicologia, pedagogia, medicina e fonoaudiologia.
  Algumas pessoas, no entanto, procuram a agência apenas para entregar o currículo. Nesses casos, é necessário ter, no mínimo, 18 anos, apresentar um atestado de antecedentes criminais, passar por exame médico, por entrevista com psicólogo e preencher um extenso cadastro.
  Juliana Silva Ferreira, 19 anos, passou por todas essas etapas antes de começar a trabalhar. ‘‘Decidi ser babá por gostar muito de criança, por ter cursado o magistério e devido ao retorno financeiro’’, confessa. Na opinião dela, uma boa babá precisa ter dom e paciência, além de buscar qualificação. ‘‘Os cursos que fiz me ajudaram bastante’’, afirma Juliana, que pretende cursar a faculdade de psicologia e continuar trabalhando como babá enquanto estuda.

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