País quer dobrar investimento em saneamento
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
Mariana Guerin<BR>Reportagem Local 
Foz do Iguaçu - Onze por cento da água doce mundial banha o território brasileiro. O País abriga ainda a maior floresta do planeta, responsável pelo lançamento de 26% da água doce que vai para os mares, e cerca de 60% das terras nacionais são cobertas por vegetação. ''Tantos atrativos carregam consigo tamanha responsabilidade'', declarou a senadora Marina Silva, presidente da subcomissão de águas do Senado, durante a abertura do Fórum de Água das Américas, que teve início anteontem à noite, em Foz do Iguaçu (Oeste).
O evento pretende diagnosticar a situação política e de gestão de recursos hídricos no continente, além de traçar propostas de ações para fazer frente ao desafio das mudanças climáticas. Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o fórum é uma oportunidade de o Brasil comprometer-se com o cuidado dos rios que são fronteiras entre os países americanos, garantindo qualidade de água para as gerações futuras. A proposta maior do governo brasileiro é investir em políticas de saneamento e combate à desertificação.
Segundo o ministro, o Brasil ainda precisa dobrar o investimento anual em tratamento de esgoto. ''Vamos anunciar ainda este ano um programa de redução de impostos sobre empresas de água e esgoto. O desconto permitirá um investimento de R$ 500 milhões por ano no tratamento de esgoto e programas de microbacias. Também vamos anunciar, junto ao ministério das Cidades, um plano decenal de saneamento para o País, para dobrar a quantidade de esgoto coletado e tratado, garantia de saúde pública para o Brasil'', completou Minc.
Ele também é favorável à cobrança diferenciada pelo uso da água e informou que foi acertado um convênio com a Caixa Econômica Federal para que os recursos dos vários comitês de bacias hidrográficas sejam depositados no banco, que irá adiantar um valor dez vezes maior que o depositado para investimentos em saneamento. No Paraná, o governador Roberto Requião já encaminhou um pedido para a Câmara de Deputados, solicitando a criação de uma agência de águas.
Para o francês Loic Fauchon, presidente do Conselho Mundial da Água, vivemos um momento de crise mundial, relacionado não só aos fatores econômicos, mas também populacionais, agrícolas, climáticos e energéticos. ''Nos últimos 50 anos priorizamos o aumento no suprimento de água e nos próximos 50 anos a prioridade será também diminuir a demanda. Será preciso mudar a cultura das pessoas, pois ao mesmo tempo em que existe uma escassez de água, o consumo ainda é abusivo'', comentou Fauchon.
Para ele, além de dar mais dinheiro para países pobres investirem em saneamento, é necessário conscientizar a população mundial de que água tem preço. ''Ela vem de graça do céu e dos rios, mas precisamos de dinheiro para construir a infra-estrutura que irá levá-la até as pessoas'', assinalou.
Ele relembrou ainda algumas resoluções do último fórum mundial, realizado no México, no qual os membros do Conselho Mundial da Água conseguiram convencer os financiadores a não só construírem, mas também manterem as infra-estruturas de saneamento, o que não ocorre em países pobres. ''Também foi sugerido que todos os países construam escolas equipadas com sistema de saneamento básico. Pode parecer comum aqui, mas em muitos países isso não acontece e as crianças não conseguem permanecer estudando sem água.''
Ontem foram apresentados documentos orientadores, elaborados por países da América do Norte, América Central, Caribe e América do Sul, os quais irão culminar na Mensagem de Foz do Iguaçu, escrita a partir das plenárias que serão realizadas hoje. O material produzido no Oeste paranaense vai liderar as cobranças americanas durante o Fórum Mundial de Águas, que acontece em Istambul, na Turquia, em março do ano que vem.
- A jornalista viajou à convite da organização do evento


