Pais protestam contra mudança de escola
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
''Eu não vou matricular minha filha, mesmo que seja preso por isso. Aí o governo vai conhecer um trabalhador que foi preso por não querer ameaçar a segurança de uma criança''. Taxativo e sem agressividade. Assim, o pedreiro Luiz Antônio Patrocínio, morador do Jardim União da Vitória II (Zona Sul de Londrina), garantiu que se a filha dele - Suellen Cristina Patrocínio, 10 anos -, não for aceita na Escola Estadual Thiago Terra, que funciona no Caic da Zona Sul, ela não irá estudar em 2007.
A garota, aluna do Caic desde o pré, terá que se mudar para a Escola Estadual Vani Ruiz Viesse, a dez quilômetros de sua casa (o Caic fica a poucos quarteirões), por determinação da Secretaria Estadual de Educação, através da carta de georeferenciamento. ''Eu não tenho como deixar minha filha andar sozinha essa distância. Eu trabalho e não tenho como acompanhá-la até lá'', argumentou.
O mesmo acontece com a presidente da Associação de Pais e Mestres da Escola Municipal Zumbi dos Palmares (que também funciona no Caic da Zona Sul), Maria Helena dos Anjos. O filho dela, Julio César dos Anjos Oliveira, também foi transferido para a escola Vani Viesse. ''É uma direito dele estudar? É sim, mas com segurança. Eu não vou matricular meu filho em uma escola onde não sei se ele volta, porque o caminho é perigoso, tem ruas movimentadas. Ele é uma criança'', exclamou.
Cerca de 50 alunos que cursaram a 4 série no Caic ficaram sem vagas para o próximo ano. Como as turmas de 5 série foram preenchidas com novos alunos indicados pelo georeferenciamento, mesmo que fossem aceitas as matrículas, não haveria salas de aula suficientes.
''A direção da escola aponta que há espaço para abrir 5 série de manhã, para suprir essa necessidade, mas o Núcleo Reginal de Educação tem que pedir autorização para o município, que depois vai avaliar se há condições de manter o ensino. Isso não é algo que eu posso decidir sozinho'', explicou o diretor geral do Caic, Amauri Cardoso.
Ele se reuniu ontem com cerca de 15 pais, que queriam encaminhar uma carta ao Núcleo Regional de Educação de Londrina solicitando a sala de aula. ''Conforme orientação da promotora da Vara da Infância, Edina de Paula, o melhor é vocês se organizarem e entrarem com mandado de segurança para poderem matricular seus filhos'', orientou aos familiares, que durante a tarde se reuniriam com um advogado.
Cardoso acredita que um argumento importante em defesa dos pais é o fato dos filhos participarem de oficinas no contra-turno escolar. ''Muitos deles não têm onde deixar as crianças'', afirmou. É o que acontece com Vilma Aparecida da Silva. Ela e o marido trabalham em uma cooperativa e saem de casa todos os dias às 5h15, retornando somente às 19h30. ''Aqui (no Caic), minha filha ficava o dia inteiro, porque tem as oficinas. E agora? Como ela vai lá para o Vani a pé? E quem vai trazer as minhas duas outras crianças mais novas até aqui?''.
A coordenadora de logística educacional do NRE, Lucia Moisés, justifica que, no caso dos moradores do Jardim União da Vitória, as crianças foram transferidas para outros colégios da região apenas por falta de vagas no Caic. ''Desta forma, a melhor coisa a fazer é esses pais matricularem os filhos na escola indicada e se cadastrarem no Thiago Terra (Caic). Em janeiro nós vamos adequar as vagas existentes'', explicou.
Luiz Patrocínio reafirma que não matriculará a filha até que a situação seja resolvida. ''Senão eles vão pensar que nós aceitamos e aí a gente perde nosso poder de reivindicar.''


