Pais precisam considerar as diferenças hormonais
Pais precisam considerar as diferenças hormonais A grande maioria dos pais insiste em criar filhos e filhas adolescentes sem considerar as diferenças hormonais que influenciam diretamente em seus comportamentos. A Organização Mundial de Saúde (OMS), no dia 25 de fevereiro, colocou no papel as diferenças hormonais de meninos e meninas. O garoto, a partir dos 11 anos, começa a produzir a testosterona que altera seu poder de concentração e memória. Reféns da produção hormonal eles são incapazes, por exemplo, de atender três ordens ao mesmo tempo. Já as meninas conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo e possuem ótima memória. O psicoterapeuta Ivan Capelatto afirma que a postura da OMS pouco vai alterar o comportamento dos pais com relação aos seus filhos. O motivo? Os mitos individuais que eles criam sobre suas crianças e adolescentes: meu filho não faz isto porque ele é preguiçoso, é vagabundo. Capelatto afirma que os pais adoram ouvir suas palestras, mas eles não conseguem usar porque os mitos que elegeram sobre seus filhos são muito mais fortes do que a ciência que eu posso lhes vender. Segundo ele, todo adolescente vai entrar em angústia e sofrimento e cada pai vai lidar com isto de uma forma. Eles não entendem que seus filhos nesta fase são reféns de hormônios e por isso não podem dirigir, nem usar álcool, porque não têm estrutura para estas ações, afirma. Desta forma aparecem as doenças mentais e as cadeias estão cada vez mais cheias, complementa. Como se não bastasse estarem sob a ação hormonal, ainda há a publicidade que vende para o consumidor a ideologia do prazer imediato, do prazer pelo prazer e cria uma cisão interna no indivíduo em crise e todo adolescente está em crise. Esta cisão é provocada pelo discurso ambivalente, por exemplo, a possibilidade de se ter prazer cuidando do filho e tomando cerveja. A cisão interna gera a angústia, segundo Capelatto, que por sua vez traz a necessidade do pedido de socorro, que vem através de sintomas de agressividade. E é a capacidade de ouvir estes sintomas e socorrer quem os apresenta que está sendo minada. O psicoterapeuta afirma que cada vez mais o sentido da vida está associado a um prazer e não ao desejo, ao prazer de cuidar. A manutenção do desejo só é possível se o sujeito puder ter uma individualidade, uma sujeição à vida isto é, quando pode esperar pelo objeto de desejo com prazer, afirma Capelatto. (E.P)





