Pais podem acompanhar filhos na UTI
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
As crianças da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica, do Hospital Infantil Pequeno Príncipe, de Curitiba, poderão ser acompanhadas pelos familiares, das 10 às 21 horas. Até agora, a família tinha 30 minutos para visitar o paciente. A UTI Pediátrica tem 12 leitos. As outras, cardíaca e neonatal (cada uma também com 12 leitos), ainda não receberam o programa.
O programa de humanização da UTI, que começou ontem, é uma ampliação do Família Participante, que ocorre desde 1991 para cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente. O artigo 12 do estatuto diz que os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão ter condições para permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, no caso de internação de criança ou adolescente.
O projeto começou nas áreas de hematologia, oncologia e ortopedia. No princípio, era aberto apenas às mães. Em um ano e meio, as famílias inteiras puderam participar do projeto. Hoje, 95% delas acompanham seus filhos no tratamento. Nas enfermarias, o acompanhamento familiar pode ocorrer em tempo integral.
A possibilidade de o paciente ficar com os pais, na maioria dos 320 leitos do hospital, fez com que a média do tempo de internamento caísse pela metade. De 12 dias, passou para seis. O mesmo resultado é esperado na UTI. Com isso, haveria diminuição nos custos do hospital. Cerca de 75% dos pacientes são atendidos pelo SUS. Hoje, a diária na UTI, por exemplo, é de R$ 300,00. O SUS paga apenas R$ 100,00 pelo serviço. Com a família, o paciente tem melhores condições de aceitar o tratamento e de se recuperar, disse a chefe do serviço de psicologia do hospital, Maria Dolores de Faria.
O programa Família Participante atende uma média de 150 familiares por dia - 20% moram fora da Região Metropolitana de Curitiba. Para que as famílias sejam incentivadas a acompanhar seus filhos, o hospital oferece vale-transporte e vagas para pernoite em albergues da cidade às pessoas que não moram na região de Curitiba.
Os familiares recebem treinamento para saber como lidar com as crianças. Eles têm à disposição bancos para descanso, banheiros, pias para higienização das mãos, avental de identificação. Nas enfermarias, há cadeiras ao lado do leito de cada criança. Diariamente, os pais recebem uma refeição no final da tarde e um lanche à noite.


