Vânia Moreira
Enviada a Iporã
A família de Letícia Moraes de Oliveira, desaparecida há cinco anos num sítio no distrito de Oroitê, em Iporã ( 53 quilômetros a sudoeste de Umuarama) acredita que o primo Luiz Fabrício Fonseca Cavalcanti, 32 anos, esteja envolvido no sumiço da menina. Cavalcanti visitava a família na época do desaparecimento, e chegou a ficar quatro meses detido, mas a Polícia não conseguiu nenhum indício contra ele. Os pais de Letícia, Odair, 28 anos, e Maria Isabel de Oliveira, 32, criticam o delegado da época, Marcolino Aparecido da Costa, por ter investigado mais o próprio pai da criança do que o parente distante. ‘‘O Doutor Marcolino sempre supeitou mais do Odair, que nunca fez nada de errado e sempre foi um pai exemplar, do que do Fabrício que era um estranho, já havia cometido crimes e estava fugindo da polícia’’, revolta-se Maria Isabel.
Cavalcanti tinha prisão preventiva decretada pela Polícia de Alagoas por homicídio. ‘‘Quando ele veio passar alguns dias conosco não sabíamos disso’’, disse a avó de Letícia e tia de Cavalcanti, Maria José da Fonseca Moraes. Segundo Odair, no momento em que Letícia sumiu Cavalcanti estava cortando cana a mais ou menos 800 metros dali, mas não há testemunhas de que ele não tenha saído do local, como informou o delegado.
Maria Isabel disse ainda que, enquanto todos procuravam Letícia, Cavalcanti saiu quatro vezes com o carro, dizendo que iria telefonar. Na última vez, pediu o carro para lavar. ‘‘Mesmo assim, ele foi liberado e desapareceu’’, disse. Odair e Maria Isabel querem que o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) investigue melhor o primo deles. ‘‘Só o Fabrício pode esclarecer o que aconteceu’’, acredita a mãe da menina.
No dia 9 de agosto de 1995, Odair saiu com Letícia por volta das 9 horas da manhã para buscar um cavalo no pasto. Ele e a filha estavam montados em outro animal. Odair conta que o cavalo disparou e ele deixou Letícia no pasto para perseguir o animal. O local era um descampado. O mato e o riacho mais próximos ficavam a 200 metros de distância. Pela reconstituição, Odair teria deixado a menina dois minutos sozinha e, se olhasse para trás, a veria. O pai diz que não demorou, foi rápido, mas que pode ter levado mais tempo que na reconstituição.
Atualmente em Guaíra, o delegado Marcolino Costa diz que Cavalcanti ficou preso 60 dias com prisão temporária decretada pela Justiça de Iporã e mais 60 dias por conta de um mandado de prisão da Justiça de Alagoas. ‘‘Nós investigamos as saídas dele, ouvimos a telefonista do Posto Telefônico, único lugar onde ele poderia ter ido telefonar, checamos tudo e não conseguimos nada que o incriminasse. Quando chegou o alvará de soltura de Alagoas, tivemos de liberá-lo’’, defende-se Costa.
O delegado diz ainda que nunca escondeu a suspeita contra o pai de Letícia. ‘‘Considerando o tempo e o local em que ele alega ter deixado a filha sozinha, ninguém conseguiria ir até lá, pegá-la e se esconder’’. Marcolino diz que o desaparecimento de Letícia é o caso mais misterioso que encontrou em sua carreira. ‘‘Tivemos que desconfiar de tudo e de todos e, se um dia ficar provado que o pai é inocente, eu peço perdão a ele de joelhos’’, garantiu.
A família de Letícia tem esperança de encontrar a menina viva. Eles desconfiam que o primo de Alagoas tenha sequestrado a criança para pedir resgate ou para vender porque estava sem dinheiro. Letícia estaria agora com oito anos e meio de idade. Segundo Maria Isabel, durante semanas moradores antigos de Oroitê que conheciam bem a região vasculharam todas as propriedades próximas. ‘‘Se ela foi morta e enterrada, foi longe dali.’’
O casal diz que só conseguirá voltar a viver em paz quando reencontrar a filha, ou, pelo menos, descobrir o que aconteceu. ‘‘Já sofremos muito e vivemos angustiados por não conseguir descobrir nada.’’ Há três anos, a família vendeu o sítio em Oroitê e se mudou para Iporã. O casal tem mais três filhos, Amanda, 6 anos, Murilo, 4, e Mateus, com um ano de idade.

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