Pais madrugam para tentar vaga em escola
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2008
Marta Ortega<BR>Reportagem Local 
Moradores do Jardim Santiago (Zona Oeste de Londrina) fizeram fila na manhã de ontem na Escola Municipal Maria José Carneiro na tentativa de conseguir uma vaga para os filhos na pré-escola. As famílias puderam fazer apenas um cadastro porque as vagas para a única turma formada já foram preenchidas com alunos dos Centros de Educação Infantil (CEI) da região, encaminhadas à escola por determinação da Secretaria Municipal de Educação. As mães estavam revoltadas porque os filhos terão que ser matriculados em outros colégios, localizados em bairros vizinhos.
A costureira Angélica Aparecida da Silva precisa matricular a filha de cinco anos na pré-escola e não conseguiu a vaga. Ela chegou às 4 horas e foi a 10 pessoa a ser atendida, às 8h15. Conseguiu apenas deixar o nome da filha em um cadastro e retorna na próxima semana para saber em qual colégio a criança será matriculada. ''Todo mundo precisa da vaga e eles preencheram com alunos de creches. E o resto da comunidade? Falam muito em educação, mas na realidade essa não é a prioridade.'' O marido dela também tentava vaga para a filha em outra escola, num bairro vizinho.
A dona de casa Valdelange Oliveira Campos, também se revoltou com a notícia. Morando a apenas cinco quadras da escola ela precisa matricular a neta, Ana Carolina, de quase seis anos, no primeiro ano. ''Deixei o nome dela na lista, mas sei que não vai ter a vaga'', lamenta. Valdelange chegou a escola às 5 horas e também cadastrou o nome de outra neta. ''Muitas mães não vão conseguir levar os filhos para escolas mais distantes. Vai ser complicado.''
A mesma situação estava o aposentado Laudionor de Souza Brito, de 77 anos, que aguardava na fila para matricular um neto de cinco anos para a pré-escola. Desanimado, ele fez a inscrição ciente de que a vaga pode ser difícil. ''Se tiver alguma desistência eles chamam, mas já falaram que não tem vaga. Acho que não vou conseguir.''
Com uma criança especial de 12 anos que recebe atendimento no período da tarde, a dona de casa Rose Soares da Silva, precisava da vaga para um filho de cinco anos no período da manhã, mas também não conseguiu a matrícula. ''Estudando de manhã, à tarde ele vai comigo na escola da irmã. Se não conseguir vaga aqui, ele não vai estudar, não tenho com quem deixar.''
A diretora da escola, Débora Cristina Costa Possetti, afirmou que a situação acontece em função do início do ensino de 9 anos. A instituição tem 12 turmas com 380 alunos da pré-escola até a quarta-série e abriu apenas uma turma de 27 alunos para a pré-escola. ''Já estamos trabalhando acima do limite - que é de 25 alunos em média - e essas vagas foram preenchidas por alunos encaminhados de creches da região. São crianças que também precisam.'' A diretora alega que as crianças do bairro não ficarão sem aula. ''Em muitas outras escolas estão sobrando vagas'', afirma. No dia 16 as famílias retornam à escola para saber onde as crianças estarão matriculadas.


