Pais ficam dias na fila por vaga em creche
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sábado, 04 de dezembro de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pais estão dormindo há três dias na fila para garantir vaga em creches municipais em São José dos Pinhais, na região Metropolitana de Curitiba (RMC). As matrículas só começam na segunda-feira, o que significa pelo menos mais duas noites que os pais vão passar dormindo embaixo de lonas improvisadas. O município, segundo a diretora do Departamento de Educação Infantil, da secretaria municipal de Educação, Iara Singer Varela, tem hoje cerca de 4,2 mil vagas em 30 creches para uma demanda de cerca de 7,5 mil crianças de zero a seis anos no próximo ano. Quanto às filas, Iara disse que elas são desnecessárias argumentando que ''se o brasileiro tivesse educação para isso, chegaria lá só no dia 6.''
''Estamos aqui desde quarta-feira (dia 1 de dezembro), quando eles colocaram os cartazes avisando da matrícula na segunda-feira (dia 6 de dezembro). Estamos revezando porque aqui não dá nem para dormir'', conta a desempregada Lurdes Gonçalves, que está no final da fila de cerca de 50 pessoas para tentar matricular seu neto Brian, de seis anos, na creche Sossego da Mamãe. ''Estou ganhando R$ 50,00 para ficar de quarta até segunda aqui guardando lugar porque os pais têm que trabalhar'', contou o jovem Welington Diego Reis, que está no início da mesma fila de Lurdes.
A mãe de Daniele, três anos, Tatiane Monteiro, primeira da fila na creche Luiza Possebom Toso, resolveu montar barraca, levar colchões e cobertas e só sair de lá depois de matricular sua filha. ''Eles tinha colocado um cartaz que tinha poucas vagas. Agora tiraram. Mas é melhor garantir'', conta. Além da falta de vagas, os pais reclamam da forma como estão sendo gerenciadas as filas. Eles preferiam, ao invés de ficar dias esperando, receber senhas. Além disso, os pais queixam-se que quem tem dois ou mais filhos tem que trazer outras pessoas para ficar na fila (uma para cada criança). Caso contrário, a matrícula não vai ser feita.
''Não podemos negar a falta de vagas. Mas também não era possível atender toda a demanda em quatro anos'', justificou Iara Varela. A diretora reclama também da falta de verba, que não é enviada pelo Ministério de Educação (MEC) para instituições para crianças de zero a seis anos. Iara afirmou que a senha não é viável e geraria confusão porque o pai ou mãe que chegar lá no dia 6 e formar fila, sem saber da existência da senha, vai ter que ser atendido. Já a justificativa da necessidade de uma pessoa para cada criança é que se alguém chega e conta o número de pessoas para determinada série já pode fazer o cálculo se vai ter vaga ou não. Os pais fazem uma chamada todas as noites e quem não responde é excluído da fila.


