Lonas, colchões, cadeiras e guarda-sóis mudaram o cenário da rua Rudolf Keilhold no Conjunto Semíramis, Zona Norte de Londrina, desde a última sexta-feira. Cerca de 50 pessoas entre pais e crianças se revezam num acampamento improvisado na calçada em frente ao Colégio Estadual Professora Olympia Morais de Tormenta para garantir vagas que ainda não foram preenchidas na escola, que atende ensino fundamental e médio.
A escola inicia hoje o preenchimento de vagas que não foram ocupadas no período normal de matrículas. O objetivo dos pais é conseguir que seus filhos sejam matriculados na escola que fica mais próxima de suas casas. Muitos desses alunos já estão com vagas garantidas em outros colégios da Zona Norte mas que ficam distantes de suas residências.
Rosemeire e o marido Jair Rizzi foram os primeiros a montar acampamento. Desde sexta-feira estão se revezando na fila para assegurar vaga para dois de seus três filhos. Para o terceiro filho, Rafael, não há vaga garantida. Nesse caso ela pede que seja feita uma ‘‘lista de espera’’ caso aconteça alguma desistência. Rosemeire explica que no final do ano uma correspondência foi enviada pela escola explicando que os alunos seriam matriculados próximos aos seus endereços comprovados pela conta de luz. ‘‘Mas em alguns casos isso não aconteceu.’’
O diretor da escola, segundo os pais, disse que não garantiria vagas para todo mundo e que a matrícula seria feita por ordem de chegada a partir do dia 21 de janeiro. ‘‘Por isso estamos aqui,’’ explicou Rosemeire. ‘‘Não queremos confusão e nem acusar ninguém. Queremos apenas garantir que as crianças estudem o mais perto possível de suas casas até por uma questão de segurança,’’ completou Jair Rizzi.
Rosemeire, que mora a oito quadras do colégio, contou que seus filhos foram matriculados no Colégio Estadual Ubedulha C. de Oliveira, no Conjunto Luis de Sá, também na Zona Norte, que fica a quase dois quilômetros da sua casa. Segundo ela, crianças que moram perto do Colégio Ubedulha, no entanto, foram matriculadas no Olympia Tormenta.
O casal Roselei e Vilson Vestin Vidotti também está na fila desde a última sexta-feira para conseguir a matrícula do filho Rafael na 5ª série do ensino fundamental. Eles moram há 10 minutos do Colégio Olympia Tormenta, mas Rafael teve sua matrícula efetuada numa escola que fica há meia hora de sua casa. Maria de Oliveira Munhoz também enfrenta o mesmo problema: vai tentar vaga para sua filha na 5ª série que foi matriculada no Colégio Mauro Gomes da Veiga, localizado a meia hora de sua casa.
Maikon Pezzotto, de 14 anos, foi um dos últimos a entrar na fila às 7 horas da manhã de ontem. Ele tenta uma vaga no primeiro ano do ensino médio. O menino tem matrícula garantida no Colégio Vicente Rijo, centro da cidade, mas quer estudar perto de casa. No período da tarde de ontem, enquanto o garoto foi descansar, a mãe, Marta, assumiu o posto.

mockup