País está atrasado em qualidade de vida
Israel Reinstein
e Luciana Pombo
De Curitiba
O Brasil está entrando atrasado na dicussão sobre a qualidade de vida. Para o presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Ricardo De Marchin, as ações pelo bem-estar da população ainda correm atrás das carências dos serviços básicos. Por exemplo, ainda se investe no tratamento de doenças, ao invés de se aplicar dinheiro na prevenção delas, exemplificou De Marchin, que participa do I Congresso Internacional de Qualidade de Vida, aberto ontem em Curitiba.
De Marchin afirma que uma parcela significativa das administrações públicas não têm planos específicos para combater a pobreza e falta de infraestrutura básica. Existem recursos internacionais que visam a melhoria da qualidade de vida, mas faltam bons projetos para conseguir liberá-los, disse De Marchi. Atualmente, o Banco Mundial e as entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), como Unicef e Organização Mundial da Saúde.
Apesar das falhas, o presidente da ABQV considera que há bons exemplos no País. O trabalho feito em Curitiba nos transportes, saneamento e meio ambiente é modelo nacional e internacional, avaliou o consultor.
Curitiba é conhecida desta forma em todo o mundo por causa de um trabalho que tem ocorrido ao longo dos últimos 30 anos. Desde o planejamento da cidade até ações na área de transporte coletivo, recuperação de fundos de vale, reconstrução de novos parques, áreas de recreação e lazer, enfatizou o prefeito Cassio Taniguchi. Ele disse que a Prefeitura sempre motivou a população para colaborar com a cidade, com campanhas publicitárias. A auto-estima do curitibano foi valorizada, complementou.
De Marchi entende que um dos pontos chaves da qualidade de vida é o equilíbrio. O desenvolvimento da pessoa a cidade deve ser feito de maneira igual, afirmou. Ele considera que o conceito de equilíbrio varia de acordo com cada camada social.
Para as pessoas de determinadas faixas de renda, as preocupações podem ser ligadas ao ritmo de vida e colesterol. No entanto, nas camadas mais pobres a preocupação é com os serviços básicos. Essas duas necessidades devem ser trabalhadas de maneira igual em todos os municípios, disse. Ele entende que o problema de saneamento básico é uma falha que atinge cidades como Curitiba.
Para o prefeito, os problemas de saneamento básico, antigos em Curitiba, começam a ter soluções. Dentro de pouco tempo 80% do saneamento da área urbana da cidade terá rede de esgoto e tratamento adequados, afirmou.
O prefeito concordou que Curitiba não pode ser considerada de primeiro mundo, principalmente por causa do crescimento da cidade. A cidade cresce muito, temos que estar atentos para as mudanças do perfil da cidade, sem perder a qualidade de vida, argumentou. A lei de zoneamento e uso do solo, que deverá ser entregue este mês na Câmara Municipal, é um dos programas municipais para melhoria da cidade.Congresso internacional que começou ontem em Curitiba mostra que o país não tem procupações em combater a pobreza
Divulgação/SMCSO lado bomO transporte coletivo é um dos pontos positivos na qualidade de vida de Curitiba, apontado pelo especialista Ricardo De MarchinKraw PenasO lado ruimEsgoto a céu aberto no Bairro Parolim, em Curitiba, um dos pontos falhos da cidade na análise de ontem em Congresso Internacional





