A demora de até oito horas no atendimento médico do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Londrina, anteontem, gerou revolta e indignação de pais que esperavam consultas para seus filhos. Alguns deles telefonaram para a Folha reclamando. Segundo os pais, os médicos interromperam o atendimento por volta das 18 horas, para uma reunião, na qual teriam permanecido por cerca de duas horas.
A dona de casa Ilma Aparecida de Paula, 37 anos, disse que esperou por atendimento por cerca de 6 horas. ‘‘Eu até que tive sorte, cheguei por volta das 18 horas e minha filha foi atendida às 23 horas, porque muita gente desistiu e foi embora. Teve gente que passou a tarde inteira, com o filho com febre e vomitando, e às 20 horas ainda não tinha sido atendida’’, disse. Ilma informou que levou a filha de 3 anos ao PAI porque no Posto de Saúde da Vila Casoni, mais próximo de sua casa, o pediatra estaria em férias.
O funileiro Alcides Sambati Medina, 47 anos, também estava revoltado ontem. ‘‘Minha esposa ficou com nosso filho de 10 meses, com vômito e diarréia, das 14 às 22 horas sem atendimento, enquanto os médicos ficaram umas três horas em reunião. Foi um absurdo.’’ Uma terceira mãe, que não quis se identificar, foi outra que reclamou da demora. ‘‘Por felicidade, eu tinha um dinheirinho para dar um lanche para minha filha, porque ficamos mais de oito horas esperando atendimento. Mas tinha mães desesperadas, chorando, porque os filhos estavam com fome e elas não tinham dinheiro.’’
Segundo o diretor-clínico do PAI, Jonilson Favareto, segunda-feira foi um dia atípico no atendimento da unidade. Conforme o médico, havia a informação de que os prontos-socorros dos hospitais Universitário (HU) e Zona Sul não estariam atendendo pediatria. ‘‘Foi tudo canalizado no PAI e a gente não estava dando conta da demanda’’, justificou. De acordo com o médico, todos os que procuraram o PAI foram atendidos. ‘‘Mesmo com superlotação não deixamos de atender ninguém.’’
Ele disse que a espera estava sendo, em média, de quatro horas. ‘‘Mas os casos de urgência e emergência sempre têm prioridade’’, afirmou. Para ele, houve exagero na denúncia dos pais. ‘‘Em nenhum momento o atendimento foi interrompido para reunião. Os médicos apenas discutem rapidamente como vai ser distribuído o serviço, quem fica com as emergências, quem dá o atendimento e quem fica responsável pela sala de observação. Mas isso, como já disse, é rápido.’’ O número de atendimentos, na segunda-feira, ficou em 310. A média diária de atendimentos na unidade é de 350.
A Folha telefonou para os quatro hospitais de Londrina que atendem pelo SUS – HU, Santa Casa (Hospital Infantil), Zona Norte e Zona Sul – e nenhum dos diretores clínicos confirmou a informação de que os prontos- socorros pediátricos teriam sido fechados na segunda-feira. No Hospital Infantil houve apenas um aumento na média de atendimentos, passando de 70 para 102.

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